Alemanha tem gás para menos de três meses se Putin fechar a torneira

O cenário de fecho da torneira, em retaliação pela posição alemã contra a invasão russa da Ucrânia, é cada vez mais real nos corredores do poder em Berlim.

epa09910064 Russian President Vladimir Putin meets with Russian Olympic and Paralympic athletes during a state awards ceremony for Russian medal winners of the Beijing 2022 Olympic Winter Games at the Kremlin in Moscow, Russia, 26 April 2022. EPA/YURI KOCHETKOV

A Alemanha tem gás natural para menos de três meses se a Rússia decidir fechar a torneira durante o próximo inverno.

O país tem atualmente as reservas nos 77% e espera atingir os 95% até novembro. Mas este nível implica que o país vai ter apenas para cerca de dois meses e meio dado o histórico de consumo de gás usado para aquecimento de lares e outros edifícios, indústria e produção de energia.

A notícia é hoje avançada pela “Bloomberg” que cita o presidente do regulador energético germânico. “Estamos a ir um pouco mais rápidos em termos de aumentar as reservas, mas não podemos relaxar. Temos de continuar”, afirmou Klaus Mueller.

A Alemanha – um país altamente dependente do gás russo fruto de uma política de décadas de confiança no regime de Putin, sem procurar diversificar as fontes de abastecimento – está numa corrida contra o tempo para aumentar as suas reservas de gás depois de Moscovo ter reduzido este ano o fornecimento através do gasoduto Nord Stream, com os fluxos atualmente nos 20% da sua capacidade.

O cenário de fecho da torneira, em retaliação pela posição alemã contra a invasão russa da Ucrânia, é cada vez mais real nos corredores do poder em Berlim.

Sobre a meta de 95%, Mueller disse que a mesma parece “difícil de atingir” porque alguns locais de armazenamento precisam de mais tempo.

“Não posso prometer que todas as infraestruturas vão estar nos 95% em novembro, nem com um bom fornecimento e boas condições de procura. No melhor cenário, três quartos das infraestruturas vão cumprir as metas”, acrescentou.

O Governo de Olaf Scholz tem apelado à redução do consumo de gás natural e tem introduzido medidas para reduzir o seu uso, como uma nova taxa.

“Ainda não sabemos como a crise vai evoluir. Não podemos dar nenhuma certeza que alguns consumidores sofrerão cortes antes de outros”, disse sobre a prioridade de eventuais cortes em alguns sectores industriais face a outros.

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