Alepo ainda não acabou

A evolução da frente de batalha deverá esclarecer se o auto-proclamado Estados Islâmico está a chegar ao fim ou se ainda tem forças para contra-atacar.

Depois da vitória das forças de Bashar Al-Assad em Alepo e do não-cumprimento dos acordos com o Daesh para a evacuação dos civis – mas alguém no seu perfeito juízo acreditaria em tal acordo? – a semana que agora se inicia é crucial para que o mundo perceba para onde vão as forças que se encontram no terreno.

Ou, mais propriamente, que equilíbrio de forças vai resultar dos acontecimentos militares da semana passada.

Os mais cépticos consideram que a paz não é um horizonte provável no futuro próximo – os menos cépticos, se não forem ingénuos, acham o mesmo – mas a evolução da frente de batalha vai com certeza permitir perceber-se se o auto-proclamado Estados Islâmico está a chegar ao fim dos seus dias ou, no meio do deserto pintado de vermelho, ainda descobre forças para contra-atacar.

Outra incógnita que está em cima da mesa é se o auxílio aos refugiados vai ou não chegar em condições de servir para alguma coisa. Para já, esse auxílio não tem chegado. O primeiro-ministro António Costa disse, no final do Conselho Europeu da semana passada, que a União Europeia mandatou Federica Mogherini (uma espécie de ministra dos Negócios Estrangeiros da união) para continuar as diligências tendentes a que o auxílio humanitário chegue ao seu destino – o que é o mesmo que admitir que ele não está a chegar a lado nenhum.

Hoje mesmo, segunda-feira, tem início mais uma reunião entre a União Europeia e a Ucrânia. Estarão presentes Federica Mogherini e o primeiro-ministro Volodymyr Groysman, num encontro que só aparentemente não tem nada a ver com Alepo: é do equilíbrio de forças entre a UE e a Rússia que se falará no interior do edifício Justus Lipsius, em Bruxelas.

Bem longe das suas portas profusamente envidraçadas, a União Europeia e os países da África, Caraíbas e Pacífico (ACP), reúnem-se em Nairobi, no Quénia (também a partir de hoje), com uma agenda que não pode deixar de recordar Alepo: o apoio ao regresso dos imigrantes aos seus países de origem. O impacto dos fluxos financeiros ilícitos sobre o desenvolvimento, os desafios à produção agrícola em pequena escala nos países ACP e a situação pós-eleitoral no Gabão, fazem também parte da agenda.

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