Allianz: ações norte-americanas vão cair se os democratas ganharem corrida à Casa Branca

Em clima de incerteza política e económica, Neil Dwane, estratega global da Allianz Global Investors, destacou a importância do investimento sustentável e do investimento temático como fontes alternativas para os investidores encontrarem rentabilidade em 2020.

A cerca de onze meses de distância, já são discutidas as repercussões do desfecho das eleições norte-americanas marcadas para 3 de novembro de 2020. Nos mercados, mais precisamente nas ações, se o próximo residente da Casa Branca for democrata, as ações e os resultados empresariais tenderão a cair.

Segundo a Allianz Global Investors (Allianz GI), que tem 500 mil milhões de euros em ativos sob gestão, “se o presidente Trump sobreviver a impugnação e se for reeleito, esperamos que os mercados mantenham o status quo“. Mas, “se os democratas vencerem a presidência, esperamos que as avaliações (das ações) e os resultados (das empresas) caiam, porque as políticas de vários candidatos democratas visam menores lucros e maiores impostos”.

Esta é uma das conclusões do outlook para 2020 de Neil Dwane, estratega global, da AllianzGI, que estima ainda que a economia norte-americana entre em recessão dentre 12 a 24 meses – “talvez no final de 2020, quando os eleitores forem às urnas”, lê-se no documento. “O impacto do pacote de estímulos fiscais de Trump já está a desaparecer”, frisa o estratega global da AllianzGI.

Neste contexto, a que se juntam ainda as incertezas económicas por causa do Brexit e da guerra comercial, Neil Dwane aponta o investimento sustentável como uma estratégia core.

“O investimento na indústria está a chegar ao limite, e o investimento sustentável já não é visto como uma tendância, mas antes como uma consideração essencial para gerir portefólios”, adiantou o estratega global da AllianzGI, que concretizou depois o que entende por investimento sustentável.

“Fatores como EGS (investimento em causas ambientais, de governança e sociais) com o objetivo de gerar resultados sólidos retornos financeiros”, explicou Neil Dwane.

“O reconhecimento da importância do investimento sustentáve alcançou os 12 biliões de dólares em ativos sustentáveis nos EUA em 2018”, lê-se no relatório da AllianzGI.

Outra alternativa é investir nos chamados ‘investimentos temáticos’ em setores económicos que se adequam aos “valores e interesses” dos investidores, adiantou Neil Dwane. “Por exemplo, no desenvolvimento de nova inteligência artificial ou na gestão de recursos escassos”, disse o estratega global da AllianzGI.

Os ‘investimentos temáticos’ podem ajudar os investidores a alinhar a colocação de capital com as suas convicções de longo-prazo, explicou o relatório, e não são “restritos a setores específicos, regiões, valor das empresas em bolsa nem benchmarks“.

outlook da AllianzGI destacou o investimento em água como “crucial” porque o planeta tem “uma oferta fixa de água mas o consumo tem uma tendência de aumento”. A inteligência artificial é encarada como “uma área de crescimento”, na qual os investidores podem encontrar empresas que “produzam infraestruta para a AI e empresas que utilizam esta tecnologia em novas formas”, como na indústria farmacêutica ou na agricultura. A indústria dos animais de estimação também foi destacada pela AllianzGI, assim como a indústria do bem-estar dos animais, porque “tocam em diversas indústrias”, desde a financeira (seguros para animais) até ao consumo (comida para animais de estimação ou produtos para a casa).

 

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