Alteração da percepção de risco foi ponto positivo da pandemia, destaca responsável da Prévoir Portugal

No painel “Novos Paradigmas: ramo vida e seguros de pensões”, do Fórum Seguros organizado pelo Jornal Económico, debateram-se as perspectivas de futuro para estes dois ramos. A literacia financeira mas também as exigências dos novos consumidores são temas que estão no foco das seguradoras.

Cristina Bernardo

A alteração da percepção de risco é um cenário positivo que saiu do período pandémico. A perspectiva foi transmitida por Paulo Silva, chief sales officer da Prévoir Portugal, no painel do Fórum Seguros que pretendeu debater os novos paradigmas tanto na vertente do ramo vida como nos seguros de pensões.

O tema “Novos Paradigmas: ramo vida e seguros de pensões”, que contou com a presença de Valdemar Duarte, diretor-geral da Ageas Pensões e Paulo Silva, chief sales officer da Prévoir Portugal (e contou com moderação de Ricardo Santos Ferreira, subdiretor do JE) esteve em debate no Fórum Seguros que está a decorrer esta quarta-feira, no hotel Pestana Palace, em Lisboa, numa iniciativa promovida pelo Jornal Económico.

“Podemos dizer que 2020 também teve lados positivos e o mais interessante foi sem uma dúvida uma alteração significativa quanto à percepção do risco. Sentimos que as pessoas procuram saber como são as garantias e já existe uma adaptação desses produtos de acordo com essa alteração”, referiu o responsável da Prévoir Portugal que transmitiu sobretudo a perspetiva do setor segurador que mais dedicada ao ramo vida em Portugal.

E nessa vertente este responsável destacou que existiu uma quebra significativa nos Planos Poupança Reforma em 2020, “algo que teve a ver com a pandemia mas não só, está também relacionado com as taxas de juro baixas, o que fez com que o produto não fosse tão atrativo”. Já quanto aos seguros de vida, houve uma quebra mas não não foi tão acentuada”, de acordo com este especialista.

Seguros de pensões “sem grande dinâmica”

O novo paradigma das pensões foi o tema abordado por Valdemar Duarte, diretor-geral da Ageas Pensões, neste Fórum Seguros. Este responsável explicou que “a atividade do fundo de pensões teve uma evolução positiva nos últimos dois anos mas isso não significa uma grande dinâmica. Houve um aumento na casa dos 7% em 2020; em 2021, existiu um crescimento de 4,5%, algo que se deveu sobretudo ao valor das taxas de juro estar relativamente baixo”. Valdemar Duarte realçou ainda que “este não é um mercado fulgurante”.

No que diz respeito à relação com o Estado, o diretor-geral da Ageas Pensões desenvolveu quatro questões: demografia, sustentabilidade, adequação e complementaridade. Relativamente à demografia, Valdemar Duarte destacou o facto de existir “uma bomba em termos demográficos” já que Portugal é um dos países com maior longevidade; este responsável deu ainda nota de que, relativamente à adequação, em 2060 serão necessários vinte contribuintes para pagar uma pensão de quatro mil euros.

Valdemar Duarte mostrou-se muito crítico relativamente aos desafios que se colocam ao setor no futuro e referiu mesmo que “a literacia financeira política é a pior de todas”: “o nível de complementaridade é de quase 0% e assusta-nos que se diga que as nossas pensões estarão sempre garantidas”, realçou este responsável da Ageas Pensões.

Sobre o futuro e os obstáculos que se colocam às seguradoras, Paulo Silva, chief sales officer da Prévoir Portugal, destacou a insuficiência das várias iniciativas relativas à literacia financeira. Mas existem desafios e os mesmos passam por compreender as necessidades dos consumidores e os tipos de distribuição que os novos consumidores vão exigir ao sector.

Neste encontro do sector segurador nacional promovido pelo Jornal Económico estão em debate temas como o futuro dos seguros de saúde, o desafio da sustentabilidade, o novo paradigma das pensões, o surgimento de novos riscos e a importância da digitalização e os novos hábitos de consumo de produtos de seguros por parte dos cidadãos e das empresas.

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