Alterações climáticas. Terra aproxima-se do ‘ponto sem retorno’, diz primatologista Jane Goodall

“Sabemos o que devemos fazer. Quero dizer, temos as ferramentas. Mas deparamo-nos com o pensamento de curto prazo de ganho económico versus a proteção de longo prazo do meio ambiente para assegurar um futuro”, indicou a cientista que ficou conhecida pelo seu estudo pioneiro de seis décadas sobre chimpanzés na Tanzânia.

Projecto de longa duração de Lalo de Almeida/Panos Pictures para Folha de São Paulo. A floresta amazónica enfrenta grandes ameaças à medida que a desflorestação, a mineração, o desenvolvimento de infraestruturas e a exploração de recursos naturais ganham maior peso nas políticas ambientalmente regressivas do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Desde 2019 que a devastação da Amazónia brasileira ocorre ao ritmo mais rápido da última década. A Amazónia é um ecossistema de enorme biodiversidade, sendo também a casa de 350 grupos de indígenas. A exploração do “pulmão” do planeta tem impactos sociais diversos, em particular ao nível das comunidades indígenas, que se debatem contra a destruição do seu meio ambiente e estilo de vida.

O clima da Terra está a mudar tão rapidamente que a humanidade está a ficar sem hipóteses de o corrigir, alertou a primatologista Jane Goodall, em entrevista à “AFP”. “Estamos literalmente a aproximar-nos de um ponto sem retorno. O que está a acontecer devido às alterações climáticas ao redor do mundo é aterrorizante”, disse Goodall.

Goodall ficou conhecida pelo seu estudo pioneiro de seis décadas sobre chimpanzés na Tanzânia, que encontrou comportamento “semelhante ao humano” entre os animais, incluindo uma propensão à guerra, bem como a capacidade de exibir emoções.

O seu próprio despertar ambiental ocorreu na década de 1980, enquanto trabalhava na Mongólia, onde percebeu que as encostas haviam sido despidas de cobertura de árvores. “A razão pela qual as pessoas estavam a cortar as árvores era para ganhar mais terra, para cultivar alimentos à medida que as suas famílias cresciam e também para ganhar dinheiro com carvão ou madeira”, disse. “Então, se não ajudarmos estas pessoas a encontrar maneiras de ganhar a vida sem destruir o meio ambiente, não podemos salvar chimpanzés, florestas ou qualquer outra coisa”, pensou.

“Somos parte do mundo natural e dependemos de ecossistemas saudáveis”, defendeu.

Goodall diz que viu algumas mudanças para melhor nas últimas décadas, mas pediu uma ação mais rápida. “Sabemos o que devemos fazer. Quero dizer, temos as ferramentas. Mas deparamo-nos com o pensamento de curto prazo de ganho económico versus a proteção de longo prazo do meio ambiente para assegurar um futuro”, indicou. “Mas se olharmos para a alternativa, que continua a destruir o meio ambiente, estamos condenados”.

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