Altice espera estar à frente da PT a partir de junho

A francesa Altice, que tem o acordo da brasileira Oi para a compra da PT Portugal, “está descontraída” e dentro do timing para concluir o processo, “entre abril e junho de 2015”, referiu ao OJE fonte próxima do grupo. A Altice – que assinou o acordo para a compra da PT Portugal (detida a 100% […]

A francesa Altice, que tem o acordo da brasileira Oi para a compra da PT Portugal, “está descontraída” e dentro do timing para concluir o processo, “entre abril e junho de 2015”, referiu ao OJE fonte próxima do grupo.

A Altice – que assinou o acordo para a compra da PT Portugal (detida a 100% pela Oi), com duração de 18 meses, avaliada em 7,4 mil milhões de euros com 500 milhões em pagamentos diferidos – deu à operadora do Brasil a possibilidade de destinar 20% a investidores portugueses, adianta a mesma fonte. E acrescenta que o grupo “ainda não foi abordado por interessados mas a expectativa é que tal aconteça após a assembleia-geral” (que deve realizar-se no início de janeiro). É também possível que alguns acionistas da PT SGPS “façam uma abordagem quanto aos 20%”, sendo que há preferência para os atuais acionistas da PT.

No entanto, o parceiro português terá de ter um perfil financeiro e não querer ter poder/interferir na gestão. A fonte não descarta eventuais contactos com a Semapa, liderada por Pedro Queiroz Pereira, e fez parte do consórcio com os fundos de investimento Apax e Bain para a compra da PT Portugal, acabando por sair da corrida).

De momento, a companhia detentora da Cabovisão e da Oni prepara-se para o período de transição na PT, que passa por manter a atual equipa de gestão, mas também “em trazer sangue novo”, refere a mesma fonte. Isto porque a Altice quer ter alguém no terreno que “conheça a forma de pensar e de trabalhar” do grupo sediado no Luxemburgo e não quer que a gestão e tomadas de decisão seam feitas a partir da sede, mas antes em Portugal, de forma célere. O presidente do conselho de administração também será português. Contudo, as decisões relativas à estratégia e CAPEX virão sempre do Grão-Ducado, ressalva. E adianta que a Altice está disposta a aceitar os remédios que venham a ser impotos pelo regulador da União Europeia. Mais: “está recetiva a vender a Cabovisão”. A pré-notificação ao regulador é entregue em Bruxelas até 15 de janeiro.

Em relação à Oferta Pública de Aquisição (OPA) pela PT SGPS por parte da Terra Peregrin, a mesma fonte comenta apenas, ressalvando não conhecer o projeto da empresa detida pela angolana Isabel dos Santos, que “a Terra Peregrin quer ficar com a PT SGPS, que é acionista da Oi, que está com problemas…”. E que, se o projeto apresentado é “manter tudo na mesma [sem investimento], vão ter problemas já no próximo ano”. Quanto a Isabel dos Santos que, entre outros, “bloqueou dividendos à PT”, e tem um “acordo de empréstimo com a Unitel”, os propósitos são “circulares e self serving” (em proveito próprio).

Investimento é, aliás, a palavra–chave apontada pela Altice no que diz respeito à PT Portugal, frisa a fonte, adiantando que um dos problemas tem sido o desinvestimento nos últimos tempos. E destaca que o grupo francês aloca, em média, 20 a 22% dos seus recursos para investimento, quando os restantes players do setor se ficam pelos “15% ou menos”. A fonte considera que não há necessidade de vender os ativos da PT Portugal, antes pelo contrário, “quando se compra uma grande companhia como a PT, não se desfaz dos ativos, investe-se”. Admite que também há “ineficiências”, mas há que “balançar os projetos um a um”. E dá o exemplo da PT Inovação, “com grandes projetos, mas há outros que não fazem sentido”.

Resumindo, as mais-valias da entrada da Altice para a PT Portugal, diz a mesma fonte, são o expertise do grupo, o facto de não vender ou desmantelar negócios recém-adquiridos e ter um projeto industrial. Entre os objetivos está trazer a empresa “de volta à liderança”, ser o n.º 1 no segmento de TV, e voltar a apostar na rede de fibra no país (segmento onde parou de “entrar dinheiro”), almejando como meta os 4 milhões de casas com fibra ótica (superando a NOS).

A concluir-se a compra da PT Portugal, esta será o “segundo maior ativo” da Altice – cujo portfólio se distribui por dez países, com maior peso na França, Israel e República Dominicana – diz fonte próxima da multinacional. A companhia francesa beneficia ainda com a experiência da PT na América Latina e no 4G (aliás, seria a única no portefólio do grupo com esta tecnologia, e com a qual a Altice “pode aprender” e “aplicar a experiência em França”).

Há a intenção de deslocar call centers da Altice para Portugal. Projeto com o qual o português Armando Pereira (com 30% do grupo francês), está entusiasmado, querendo implementá-los no norte do país, de onde é originário.

Além de estar, via a Altice Portugal, a tentar adquirir a PT, a multinacional francesa acaba de comprar a operadora SFR através da subsidiária Numericable. Pelo que a agência de notação financeira Moody’s colocou esta quarta-feira sob revisão o rating da Altice, que já se está quatro níveis em “lixo”, e admite baixá-lo mais se avançar com a compra. Mas este é um aspeto que não preocupa a companhia francesa, mais focada em ter uma “estrutura de capital robusta”.

Armanda Alexandre

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