Alto comissário da ONU para os refugiados acusa Truss de declarações ‘falsas’ sobre a política do Ruanda

De acordo com Filippo Grandi, a governante britânica está errada porque a ONU deu a conhecer “muitas, muitas sugestões” em vez de enviar pessoas para aquele país, em violação “dos princípios fundamentais dos refugiados”.

Toby Melville/Reuters

Liz Truss, ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, foi acusada pelo alto comissário das Nações Unidas para os refugiados de fazer declarações “falsas” após ter afirmado que os críticos da política de afastamento ruandesa do governo do Reino Unido não conseguiram apresentar políticas alternativas, segundo o “The Guardian”.

De acordo com Filippo Grandi, a governante britânica está errada porque a ONU deu a conhecer “muitas sugestões” em vez de enviar pessoas para aquele país, em violação “dos princípios fundamentais dos refugiados”.

A polémica ganhou uma nova dimensão numa altura em que o governo britânico se prepara para enviar o primeiro voo dos requerentes de asilo para o Ruanda.

De acordo com fontes governamentais, o avião está preparado para descolar com um único refugiado a bordo, porque os custos estimados em centenas de milhares de libras não podem ser reembolsados.

Os membros do governo estão preocupados com a possibilidade de haver menos de cinco pessoas no voo, devido a uma série de desafios legais de última hora.

Desde a semana passada, o número de refugiados que deveriam estar no voo diminuiu de 130 para sete esta terça-feira de manhã.

Em declarações ao programa “Today” da Rádio 4, Truss disse que críticos como figuras proeminentes da Igreja de Inglaterra deveriam apresentar políticas alternativas: “Estas pessoas precisam de sugerir uma política alternativa que funcione. A nossa política é completamente legal, é completamente moral”.

Grandi reagiu contradizendo as afirmações da governante britânica: “Isto é simplesmente falso porque temos oferecido muitas sugestões ao governo britânico sobre como simplificar e acelerar os procedimentos e manter a sua justiça”.

Numa conferência de imprensa em Genebra, o diplomata italiano disse que a ONU tinha aconselhado o Reino Unido a finalizar acordos com países de trânsito através dos quais os refugiados viajam e reforçar a partilha de encargos entre países europeus, além de aconselhar o governo britânico a trabalhar com a UE para resolver o problema.

“A cooperação é possível sem recorrer a este tipo de acordos como o do Ruanda que – e não vou repeti-lo mais, mas já o dissemos muitas vezes – viola os princípios fundamentais dos refugiados”, disse.

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