Alunos da U.Porto desenham peças para empresa de mobiliário centenária

A professora Lígia Lopes desafiou a classe a refletir sobre “o carácter intemporal” da Adico e a sua “contínua afirmação no mercado do mobiliário”. Foi a semente de uma iniciativa que deu frutos e vai aproximar a criadora da icónica Cadeira Portuguesa da academia. O horizonte são os próximos 100 anos, só possíveis com inovação.

Nem cadeiras, nem mesas. Mesmo assim, o produto tinha que se encaixar na filosofia da Adico e complementar o seu portfólio. Não era fácil. Diana Gomes teve o seu momento Eureka e do estirador saiu o desenho de uma estrutura que pode funcionar como guarda-sol, separador ou floreira. Em breve, ganhará vida real.

A possibilidade de criar uma peça para a casa-mãe da icónica Cadeira Portuguesa nasceu no mestrado em Design Industrial e de Produto da Universidade do Porto que frequenta. Com ela, mais dez alunos foram desafiados por Lígia Lopes, a professora e conhecida designer, a refletir sobre “o carácter intemporal” da marca e da sua “desejada permanência e contínua afirmação no mercado do mobiliário”. Razão? Sim, havia.

A Adico está a completar 100 anos, o seu primeiro século de vida e nada melhor do que comemorá-lo com juventude e inovação. Num contacto prévio, Lígia Lopes abrira a porta, pedindo à empresa que avaliasse a disponibilidade para que os seus alunos desenvolvessem um trabalho curricular no âmbito do Design. Desenvolveram-se contactos, depois conversações e eis que, por fim, nasce o concurso de ideias, que Diana Gomes venceu.

Adelina Dias Costa, administradora da Adico, explica ao JEUniversidades que o Prémio agora criado surge do desejo da centenária empresa de abrir as suas portas ao design nacional e aos jovens criativos com quem quer pensar e desenhar os próximos 100 anos. “Queremos estimular uma relação próxima e direta com as universidades e com as escolas artísticas. Esta proximidade entre academia e empresas é fundamental para o desenvolvimento do tecido empresarial”, afirma a gestora.

A estudante de Design Industrial e de Produto Diana Gomes teve a acompanhá-la no podium os colegas Pedro Pêgo e Gabriela Figueiredo, que também tiveram direito a um prémio pecuniário. Além disso, a jovem abriu a porta para, quem sabe, um futuro emprego. Para já, ganhou o direito de estagiar na empresa em Estarreja e promete agarrar esta oportunidade de crescimento e aprendizagem, não só como designer, mas também como pessoa. “Trabalhar na Adico será um forte estímulo criativo para mim, enquanto me possibilita conjugar as minhas duas vocações, engenharia e design, harmonicamente”, explica ao JEUniversidades.

Formada em Engenharia Mecânica, Diana sempre esteve envolvida no “mundo das artes”, daí que tivesse optado por dar continuidade aos estudos com este mestrado que é dado a meias entre a Faculdade de Engenharia e a Faculdade de Belas-Artes. “Este concurso permitiu-me explorar o meu lado mais criativo, aprofundando as minhas capacidades inventivas, e, o facto de o ter ganho, constitui, para mim, um grande incentivo para continuar a trabalhar aliando o design à engenharia, que é, efetivamente, aquilo que pretendo fazer no futuro”, explica.

O Prémio Adico vai continuar a honrar o rasgo de Adelino Dias Costa e uma história que começou a ser escrita no dia 2 de dezembro de 1920 e na qual a geração atual se inspira para perspetivar o futuro. Adelina Dias Costa adianta ao JE Universidades que está em preparação a edição de 2022 e incorpora uma novidade: “o seu âmbito será alargado ao maior número de escolas e universidades da área do design, da arquitetura e da criatividade”. Uma forma, salienta, de os designers do futuro olharem para a Adico como um parceiro que fomenta e apoia a excelente criatividade nacional.

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