Alunos preferem aulas na escola para estar com colegas e professores

Estudo realizado pelo Observatório da Fábrica_IADE durante o primeiro confinamento reafirma a importância da escola e das aulas presenciais. Uma percentagem significativa dos inquiridos (13,4%) disse sentir dificuldade na adaptação à nova realidade do ensino a distância. 

FERNANDO VELUDO/LUSA

“Estudar em tempo de pandemia”, realizado pelo Observatório da Fábrica_IADE entre 20 de março e 6 de maio de 2020, revela que 31% dos inquiridos preferem ter aulas na escola, enquanto 16,2%  gostam da experiência de estar em casa. Uma percentagem significativa – 13,4% – sentia dificuldade na adaptação à nova realidade.

Uma das grandes dificuldades apontadas, tanto por alunos como pelos pais entrevistados, é a gestão de tempo e do volume de trabalho que os alunos necessitam produzir em casa para cumprir objetivos.

O acesso aos recursos necessários como material informático e software adequado (12,7% ) e outros materiais didáticos (14,8%), é um fator que restringe o acompanhamento das aulas à distância. Mas é a ausência física do professor (62,7%) cujo papel é o de acompanhar o aluno, tirar dúvidas (31%) e trocar ideias, que mais reflete as dificuldades sentidas no acompanhamento das aulas não presenciais.

Segundo o estudo, coordenado pela investigadora  Sandra Rodrigues, realizado logo após o primeiro confinamento devido à pandemia da Covid-19 em 2020, para 66,3% dos inquiridos a importância de voltar às aulas presenciais residia na necessidade de estar pessoalmente com os amigos e colegas.

A forma como a maioria (73,2%) disse ocupar os tempos livres após a aula, através das redes redes sociais e apps, permite concluir que o que os alunos mais valorizam é a parte “humana” da escola: estar com os colegas e contar com a presença e o apoio dos professores para poder tirar dúvidas e trocar ideias.

Alguns dos alunos em fase de conclusão do ciclo de estudos reconheceram que a sua grande preocupação no regresso às aulas estava relacionada com o seu desempenho e classificações finais bem como a sua preparação para os exames. E embora muitos demonstrassem uma enorme vontade no regresso, apenas 11,1% sentia que estavam reunidas as condições para o fazer efetivamente em segurança.

O estudo inquiriu 339 alunos no primeiro período de confinamento de todos os ciclos de estudos e níveis de ensino desde o 1º ciclo até ao ensino superior e permitiu, uma semana após a suspensão oficial das aulas presenciais, recolher as principais reações do processo de adaptação à necessidade inesperada de manter as aulas a decorrer à distância. Nessa altura, 61,7% dos alunos estavam a receber trabalhos e exercícios para desenvolver de forma autónoma. Consistiam em exercícios práticos e exercícios de cálculo e na pesquisa de temas para reflexão para serem  enviados ao professor por e-mail no período definido para a duração da aula. Para 32,5% dos alunos, as tarefas propostas eram fichas de leitura e capítulos de livros para ler e para estudar determinado tema e matéria, com exercícios de verificação de conhecimentos.

A maior parte dos alunos – 40,8% – assistia a aulas virtuais em formato de vídeo conferência através do Moodle, Zoom e Kahoot, entre outras, que permitem a interação entre o professor e os alunos, através de vídeo, áudio, troca de mensagens escritas e partilha de écran e ficheiros em tempo real. Apenas 17,5% dos inquiridos estava com aulas com duração pré-definida, isto é, mantendo as rotinas idênticas às das aulas presenciais, com horários, intervalos e tempo para trocar ideias com os colegas e tirar dúvidas com o professor.

 

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