Alzheimer. Empresa de biotecnologia investigada por manipular resultados de medicamento experimental

Segundo duas pessoas familiarizadas com o inquérito, a empresa também está enfrentar uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal à Cassava Sciences Inc por uma alegada manipulação de resultados na investigação para o seu medicamento experimental para o Alzheimer, disseram duas pessoas familiarizadas com o inquérito  à “Reuters”.

O pessoal do Departamento de Justiça que conduz a investigação sobre a empresa de biotecnologia, com sede em Austin, Texas, é especializado em examinar se empresas ou indivíduos enganaram investidores, agências governamentais ou consumidores, de acordo com as fontes, que falaram sob a condição de anonimato e não forneceram detalhes sobre o foco da investigação ou se o departamento estava a investigar indivíduos específicos.

Como em qualquer investigação do Departamento de Justiça, esta pode levar a acusações criminais ou ser encerrada sem que nenhuma acusação seja feita, ressalva a agência noticiosa.

A advogada que representa a Cassava, Kate Watson Moss, não confirmou nem negou a existência da investigação criminal do Departamento de Justiça. “Para ser claro: a Cassava Sciences nega veementemente toda e qualquer alegação de irregularidade”, disse por e-mail, acrescentando que a empresa “nunca foi acusada de crime e por boas razões – a Cassava Sciences nunca se envolveu em conduta criminosa”.

Watson Moss indicou que a empresa recebeu solicitações confidenciais de informações de agências governamentais, mas recusou a identificá-las. “A Cassava Sciences forneceu informações em resposta a essas solicitações em plena satisfação das suas obrigações legais”, explicou, acrescentando que nenhuma agência governamental acusou a empresa de irregularidades.

Um porta-voz do Departamento de Justiça recusou-se a comentar.

A empresa já estava sob escrutínio da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) e investidores depois de  dois médicos fazerem alegações, no ano passado, de manipulação de dados e deturpação da investigação que sustenta o medicamento da empresa para Alzheimer, o simufilam.

A Cassava, uma pequena empresa com cerca de duas dúzias de funcionários, disse um comunicado, na altura, que as alegações eram “falsas e enganosas”.

A Cassava, no seu site, descreve o simufilam como tendo uma ” abordagem inteiramente nova” para o tratamento da doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência A medicação oral restaura a forma e a função normais de uma proteína-chave no cérebro, segundo a empresa.

A investigação criminal começou, segundo as fontes, algum tempo depois de uma petição ter sido apresentada em agosto de 2021 na Food and Drug Administration (FDA) dos EUA por um advogado em nome de dois médicos — David Bredt, neurocientista que trabalhou na Janssen da Johnson & Johnson, e Geoffrey Pitt, cardiologista que atua como diretor do Instituto de Investigação Cardiovascular da Weill Cornell Medicine, em Nova Iorque — que pediam à agência que suspendesse os ensaios clínicos do simufilam. Os médicos são .

A petição apresentada por Jordan Thomas disse que os estudos publicados pela Cassava sobre ensaios clínicos do simufilam em vários jornais continham deturpação de dados e manipulação de imagens. A FDA negou a petição e deixou os ensaios prosseguir.

A Cassava recebeu mais de 20 milhões de dólares dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (INH) para apoiar o desenvolvimento do simufilam. A agência disse à “Reuters” que não discute possíveis casos de má conduta em pesquisa relacionados a subsídios, mas que a “má conduta em investigações pode distorcer as decisões de financiamento do NIH, a integridade geral da investigação que apoiamos e a confiança do público na ciência e nos resultados”.

Para além deste caso, a empresa está a enfrentar uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários, segundo as mesmas fontes. Em novembro, o “Wall Street Journal” noticiou pela primeira vez esta investigação, indicando que a Comissão as alegações feitas na petição da FDA. A “Reuters” não conseguiu determinar quais as alegações específicas que, aparentemente, atraíram o escrutínio da agência.

Um porta-voz da SEC disse que a agência “não comenta a existência ou inexistência de uma possível investigação”.

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