Americanos seriam os únicos a querer intervir se a Rússia atacasse a Turquia e nem os alemães os defenderiam

Sondagem realizada no âmbito do 70.º aniversário da NATO revela que apoio à Aliança Atlântica está em queda entre a população de diversos países europeus e que o foco está cada vez mais na ameaça do terrorismo e menos na intervenção militar de um partido hostil.

Uma sondagem do instituto de estudos de opinião YouGov realizada no âmbito do 70.º aniversário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) mostra que o apoio da população dos principais países-membros à organização está em queda e que a disponibilidade para utilizar força militar em caso de ataque russo a um país aliado é diminuta. Ao ponto de a maioria dos alemães inquiridos terem indicado que não quereriam ver o governo federal recorrer a força militar para ir em socorro dos Estados Unidos no improvável caso de uma ofensiva proveniente de Moscovo, tal como também prefeririam que a Alemanha não reagisse a ataques militares russos à Ucrânia, Roménia e Turquia.

Pouco diferentes são as opiniões dos franceses, com a ligeira diferença de que existe uma maioria disposta a aceitar a utilização de força militar para defender os Estados Unidos de um ataque da Rússia.  Mais interventivos, os britânicos contactados pelos entrevistadores da YouGov dividem-se, ainda assim, quanto à resposta a uma eventual ofensiva militar russa sobre a Turquia, enquanto os norte-americanos são os únicos que apoiariam maioritariamente a intervenção militar para defender qualquer um dos países apresentados na sondagem (Alemanha, Croácia, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Letónia, Polónia, Reino Unido, Roménia, Suécia, Turquia e Ucrânia), alguns dos quais nem sequer são membros da NATO.

Também o apoio à pertença dos respetivos países à NATO encontra-se em queda generalizada, ainda que nos Estados Unidos (cuja população é tradicionalmente mais avessa à organização) até ocorra uma ligeira subida na percentagem daqueles que dão forte apoio, de 25% em 2017 para 27% em 2019, por muito que aqueles que tendem a apoiar tenham descido de 22% para 17%. A maior quebra deu-se em França, país em que o forte apoio à NATO desceu de 21% para 9% no espaço de dois anos (e a tendência para apoiar baixou de 33% para 30%).

Até agora com uma maioria a dar forte apoio, a Noruega viu essa percentagem descer de 54% para 34% entre 2017 e 2019, até certo ponto compensada com a tendência para apoiar, que subiu de 21% para 32%. Entre os dinamarqueses o forte apoio desceu de 44% para 32% e a tendência para apoiar passou de 36% para 38%, mas mais preocupantes serão para a NATO as descidas da percentagem daqueles que dão forte apoio à pertença dos seus países na população do Reino Unido (de 42% para 25%) e da Alemanha (com uma quebra de 41% para 22%).

Por último, a definição de prioridades da Aliança Atlântica está cada vez mais afastada do propósito que motivou a sua criação, num contexto em que a Guerra Fria dava os primeiros passos. A proteção dos países da NATO de ataques de nações hostis deixou de ser o objetivo principal para a população de alguns dos principais países-membros, sendo cada vez mais esperado que se ocupe da ameaça do terrorismo. No Reino Unido e nos Estados Unidos ainda existe algum equilíbrio (14% para a proteção de ataques de países hostis e 17% de proteção do terrorismo entre os britânicos, e 11% para a proteção de ataques de países hostis e 13% de proteção do terrorismo entre os norte-americanos), mas na Alemanha o foco está cada vez mais no terrorismo (24%, contra 14%), sendo ainda mais assim em França (24% contra 9%).

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