Analistas estimam mais cortes na taxa de juro em Angola

“Prevemos que o banco central tenha espaço para cortar a taxa de juro em mais 50 a 100 pontos base na reunião de novembro”, escrevem os analistas da Oxford Economics, comentando a decisão do Banco Nacional de Angola de descer a taxa de referência de 20% para 19,5% em setembro, na primeira queda desde 2019.

Os analistas da Oxford Economics e da Fitch Solutions consideram que o banco central de Angola vai continuar a descer as taxas de juro de referência, em contraciclo com a tendência mundial, para 18% até dezembro.

“Prevemos que o banco central tenha espaço para cortar a taxa de juro em mais 50 a 100 pontos base na reunião de novembro”, escrevem os analistas da Oxford Economics, comentando a decisão do Banco Nacional de Angola de descer a taxa de referência de 20% para 19,5% em setembro, na primeira queda desde 2019.

“Em forte contraste com a maioria dos outros bancos centrais que estão num ciclo de aperto monetário devido à subida da inflação, o BNA reduziu a sua taxa de juro de referência; prevemos que a inflação continue a descer gradualmente para 17,8% em dezembro, não só graças ao efeito base, mas também ao IVA e ao abrandamento do crescimento das taxas de crescimento dos agregados monetário e de crédito, para além da apreciação da taxa cambial do kwanza”, escrevemos os analistas no comentário, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso.

Desde setembro do ano passado, a moeda nacional de Angola valorizou-se 39% face ao dólar, recuperando de vários anos de desvalorização, no seguimento da liberalização cambial parcial decretada pelo BNA no final de 2017.

Para além da Oxford Economics, também os analistas da Fitch Solutions, uma consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings, estimam que o banco central continue a baixar as taxas de juros, em linha com a redução da inflação no segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana.

“Antevemos que o banco central de Angola vá cortar ainda mais a taxa de juro diretor, para 18% no final deste ano e 17% até ao fim de 2023, num contexto em que a inflação continua a desacelerar e o crescimento económico abranda em 2023”, lê-se no comentário a que a Lusa teve acesso.

Para estes analistas, “a mais recente decisão de política monetária reflete principalmente a apreciação do kwanza, o que contribuiu para um abrandamento da inflação, que passou de 27,2% em janeiro, para 19,8% em agosto, devendo chegar aos 18% até dezembro, para uma média anual de 20% em 2022”, descendo ainda mais em 2023, para 14%.

Assim, concluem, há margem para o BNA “cortar mais 100 pontos base, para 17%, até final de 2023, num contexto em que os ventos contrários vindo do setor petrolífero provocam um abrandamento do crescimento para 1,8% no próximo ano”.

O banco central de Angola decidiu na segunda-feira passada reduzir a taxa de juro de referência, de 20% para 19,5%, argumentando com o abrandamento da inflação e a valorização da moeda nacional, o kwanza.

“Considerando a consistência do abrandamento da evolução de preços na economia nacional, particularmente desde o início do ano em curso, como resultado do contínuo e rigoroso controlo da liquidez, da apreciação do kwanza em relação às principais moedas utilizadas nas transações com o exterior e do aumento da oferta de bens essenciais de amplo consumo, o Banco Nacional de Angola [BNA] entende estarem reunidas condições para a redução da taxa de juro diretora”, anunciou o regulador financeiro, no final da reunião do comité de política monetária.

Na reunião, os banqueiros decidiram “reduzir a Taxa Básica de Juro de 20% para 19,5%, reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 23% para 21% e manter inalterada a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 15%”.

Além do ambiente económico em Angola, a decisão também teve em conta “o contexto externo e riscos inerentes, dada a exposição da economia angolana ao setor petrolífero e ao peso dos bens alimentares importados no cabaz de oferta ao mercado interno”, lê-se ainda no comunicado divulgado na semana passada, que mantém a previsão de a inflação descer para um dígito a médio prazo.

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