Anatomia política

São muitos a responder ao apelo, e há hoje no Instagram fotos de rabos com os mais diversos formatos e tamanhos, nos mais diversos monumentos, o que faria feliz qualquer estudante do passado.

Um par de turistas americanos – Joseph da Silva e Travis da Silva – foram detidos na Tailândia por tirarem fotografias no Wat Arun de Bangkok (o Templo do Amanhecer) com o rabo de fora. Nem vale a pena negarem, pois “postaram” as fotografias no Instagram, na sua conta travelling_butts, que mostrava os seus rabos nos monumentos do mundo. E como uma desgraça nunca vem só, a acusação foi alargada pois já tinham posto no Instagram fotografias do seu rabo noutro templo tailandês. Os Silvas tomaram entretanto uma medida inteligente: apagaram a sua conta no Instagram, mas tarde demais.

Depois da “belfie”, chegou a “cheeky”, surgida do desafio da conta CheekyExploits aos internautas para postarem fotografias dos seus rabos em sítios célebres. Como não podia deixar de ser, são muitos a responder ao apelo, e há hoje no Instagram fotos de rabos com os mais diversos formatos e tamanhos, nos mais diversos monumentos, o que faria feliz qualquer estudante do passado. Sabe-se lá que maravilhas teriam sido descobertas com esta riqueza de informação; Freud teria provavelmente dissertado sobre a influência do formato do rabo no desenvolvimento da personalidade. Se esta afirmação parece pouco séria, não devia – há séculos que esta parte da anatomia humana tem profunda influência nos mais diversos domínios, da Ciência às Artes. Veja-se Hieronymus Bosch, que no seu Jardim das Delícias Terrenas retrata todo tipo de rabos, nas mais diversas situações, incluindo os donde saem flores aos donde saem pássaros, passando pelos que deitam fumo e até um que toca flauta! Resulta não ser estranho que desempenhem um papel especial na política.

Com efeito, tomando como exemplo uma democracia com um sistema político forte como os EUA, o vocabulário político refere-se a esta parte anatómica em vários vocábulos, destacando-se pela frequência de uso “jackass” e “asshole”. São das poucas palavras corretas dos dias de hoje, pois não têm género, não atendem nem a raça nem a religião e são verdadeiramente democráticas: qualquer um pode ser um “asshole”. Também no nosso País temos exemplos do papel do “derrière” na política, o mais notável a cena do estudante que mostrou o rabo à Ministra da Educação nos anos 80. Mas não há em Portugal o mesmo uso do termo na discussão política, exceto quando um político recomenda a outro o sítio onde ele deveria guardar uma proposta ou documento. Porém, isto não quer dizer que não possa ver um dia um político a mostrar-lhe o rabo. Utilize nessa altura outra parte da sua própria anatomia: o pé. Até porque é uma resposta política, que os americanos designam “kickass”.

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