António Castanho: “Os âmbitos particulares e empresariais são potenciadores de novos negócios no setor segurador”

A conjuntura económica verificada nos últimos anos tem forjado novos comportamentos nos consumidores. De facto, tanto o aumento do desemprego como a perspetiva de queda das pensões tem conduzido à diminuição do consumo, levando a população portuguesa a ter uma perceção mais realista do seu orçamento familiar. Efetivamente, a quebra de rendimentos associada à fragilidade […]

A conjuntura económica verificada nos últimos anos tem forjado novos comportamentos nos consumidores. De facto, tanto o aumento do desemprego como a perspetiva de queda das pensões tem conduzido à diminuição do consumo, levando a população portuguesa a ter uma perceção mais realista do seu orçamento familiar. Efetivamente, a quebra de rendimentos associada à fragilidade do sistema de segurança social e aos cortes nos apoios sociais do Estado forçaram os portugueses a recuperar os hábitos de poupança esquecidos durante os anos de expansão do crédito.

Mas o recuo do Estado na sua função social reflete-se não só ao nível particular. De facto, a diminuição das compartições do Estado na saúde, com impacto direto dos medicamentos e exames e no aumento das taxas moderadoras, acrescida ainda do corte nas pensões de reforma, tem levado a que as empresas tenham vindo a substituir o Estado em algumas destas vertentes. Face à redução do poder de compra dos seus trabalhadores, muitas empresas têm utilizado os seguros de saúde, os seguros de vida e os fundos de pensões, como meios de reconhecimento das suas equipas, com elevada perceção por parte de quem recebe estes mesmos benefícios.

Os âmbitos acima referidos, o particular e o empresarial, são potenciadores de novos negócios dentro do setor segurador. Nos últimos anos, a população portuguesa tomou consciência, da pior forma, de que o Estado, por si só, não pode ser o único meio de suporte em situações inesperadas, como sejam a doença, o desemprego, a reforma e até mesmo a morte. Resultantes desta consciência, os seguros, nas suas diversas abrangências, surgem como uma alternativa cada vez mais presente, sendo a solvabilidade e a solidez do setor segurador, também fatores tidos em consideração.

Os jovens de hoje,  ao iniciarem a sua carreira profissional, precisam de ter a noção de que grande parte da sua reforma vai depender deles próprios. As famílias portuguesas precisam de ter noção de que as pensões de invalidez ou de sobrevivência são insuficientes para as despesas do dia-a-dia. É também nestas novas perceções que se abrem as portas para novas oportunidades no setor segurador. A mentalidade dos portugueses tem de mudar para patamares idênticos aos restantes países europeus, em que os seguros não são encarados como um custo ou despesa extra, mas sim como uma proteção para o futuro.

 

António Castanho / CA Vida

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