António Costa ainda não convidou ninguém para a direção do PS

António Costa ainda não fez qualquer convite para a direção nacional do Partido Socialista (PS), apurou o OJE. Normalmente, o secretariado nacional só é eleito depois da reunião da comissão nacional, a qual terá de ser convocada com 15 dias de antecedência, mas desta vez, a título excecional, a sua composição deverá ser anunciada no […]

António Costa ainda não fez qualquer convite para a direção nacional do Partido Socialista (PS), apurou o OJE. Normalmente, o secretariado nacional só é eleito depois da reunião da comissão nacional, a qual terá de ser convocada com 15 dias de antecedência, mas desta vez, a título excecional, a sua composição deverá ser anunciada no dia 30, último dia do congresso socialista.

“Noticiar que Costa vai retirar, ou manter, os militantes próximos de José Sócrates da próxima direção não faz qualquer sentido. Ele ainda não convidou ninguém”, diz um deputado socialista próximo de António Costa e de José Sócrates.

O deputado, contactado pelo OJE, referia-se à primeira página de ontem do jornal i, que avançava que António Costa ia afastar todos os socráticos, enquanto o Diário Económico noticiava que Costa “mantém o plano para órgãos do PS apesar do caso Sócrates”.

Ainda assim, “é impossível afastar todos os próximos de Sócrates. São muitos os órgãos do partido. Há pessoas que podem não ficar na direção, mas que estarão nos outros órgãos nacionais”, garante o mesmo deputado.
Outro deputado afirma que a prisão de Sócrates pode obrigar “Costa a uma maior ponderação na composição das listas. Apesar de já ter dito que assume a história do partido, sente uma maior responsabilidade”.

O congresso socialista ocorre nos próximos dias 29 e 30 de novembro, altura em que o líder, António Costa, irá anunciar a composição do secretariado, a direção nacional. O novo líder socialista já fez saber que o PS “não apaga” figuras do partido ao estilo estalinista, mas tem pedido um certo distanciamento entre o partido e a prisão do antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Realce-se que, normalmente, as personalidades que fazem parte da direção parlamentar não ficam no secretariado. No entanto, os deputados socialistas dizem que “esta situação não é normal, está aberta a todas as exceções”, o importante é “ter o secretariado definido o mais depressa possível, para se avançar com políticas alternativas às do atual governo e preparar as eleições legislativas”.

Apesar de tudo, António Costa considera que a prisão preventiva de Sócrates “não penaliza nem afeta as firmes convicções do PS”. “Devemos dar tempo à justiça para fazer o seu trabalho e esperar com serenidade”, foram estas as primeiras palavras de reação de Costa à detenção de Sócrates. Apela aos militantes socialistas para não confundirem a “solidariedade e amizade pessoais”, com ação política de alternativa levada a cabo pelo PS.

Mas, o novo líder socialista continua a manter “orgulho” em bandeiras dos governos de Sócrates, tais como o Simplex, as Novas Oportunidades, o Plano Tecnológico e o “défice mais baixo em democracia, o de 2007”.

 

Três meses para limpar a imagem
António Costa não está nem nunca esteve refém do grupo socrático, avançam fontes que lhe estão próximas. As lições da Casa Pia permitiram perceber que rapidamente era necessário “separar as águas” entre a amizade e solidariedade e a política. Costa criou um “tampão” de forma eficaz, elogiada internamente e pelos comentadores.

O atual cenário é propício a Costa fazer uma renovação nos dirigentes. Irá convidar a nova direção do partido na véspera do congresso. O objetivo é a mudança, sendo que as circunstâncias atuais favorecem uma renovação mais profunda. Logo, o momento atual é uma oportunidade. A expetativa de quem lhe está próximo é que dentro de dois a três meses Costa terá descolado totalmente da herança do PS socrático.

A tentativa de colagem que a oposição lhe que impor é um “pau de dois bicos”, pois PSD e CDS poderão ser “salpicados” pelo lixo tóxico.

Carlos Caldeira e Vítor Norinha

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