PremiumAntónio Costa conseguirá conter desentendimentos dentro do Governo?

Os primeiros quatro anos de governação mostraram que António Costa poderia muito bem ver-se acorrentado dentro de uma caixa submersa em água e, após largos minutos de inquietação, protestar ruidosamente, sentado e enxuto na primeira fila da plateia, com a lentidão do espectáculo

Os primeiros quatro anos de governação mostraram que António Costa poderia muito bem ver-se acorrentado dentro de uma caixa submersa em água e, após largos minutos de inquietação, protestar ruidosamente, sentado e enxuto na primeira fila da plateia, com a lentidão do espectáculo. Quem foi capaz de negociar quatro orçamentos com o Bloco de Esquerda,PCP e PEV não terá decerto dificuldades em manter alinhado e afinado o maior Executivo que a democracia portuguesa alguma vez viu.

Nem sempre será muito fácil, pois a fase “todos somos Centeno” aparenta ter-se esgotado ainda antes da saída do “Ronaldo do Eurogrupo”, mas não se vislumbram movimentações que obriguem o primeiro-ministro a voltar a recordar que ainda não meteu os papéis para a reforma – é, pelo contrário, possível que almeje desafiar o recorde de longevidade de Cavaco Silva em funções governativas.

Com a “ala direita” doPS reduzida a pouco mais do que a voz mais incómoda do que influente de Francisco Assis e a resistência de um punhado de deputados em torno de Sérgio Sousa Pinto – capazes, ainda assim, de ajudar a aprovar o voto de saudação ao 25 de Novembro de 1975 apresentado pelo CDS-PP – e com a ala mais próxima do Bloco de Esquerda relativamente contida aquando da formação do XXII Governo Constitucional, Costa avança para o primeiro ano completo da nova legislatura sem sombra de preocupações no Conselho de Ministros.

Dir-se-á que tudo pode complicar-se se Centeno ceder a pasta das Finanças a Fernando Medina – hipótese avançada no espaço de comentário de Marques Mendes e prontamente afastada pelo presidente da Câmara de Lisboa -, o que teria o condão de potenciar o conflito latente com Pedro Nuno Santos. Ao ministro das Infraestruturas e Habitação, que viu Costa atribuir o título de ministra de Estado a Mariana Vieira da Silva enquanto Duarte Cordeiro, seu próximo, permanecia secretário de Estado, restará pouca margem de manobra para impor o ritmo a um Executivo já isento do “familygate” mas do qual continuam a constar dois dos maiores amigos do primeiro-ministro: Pedro Siza Vieira e Eduardo Cabrita.

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