António Costa terá exercido pressão sobre Carlos Costa para manter Isabel dos Santos no BIC

O episódio é contado por Luís Rosa no seu livro “O Governador”, em que revela momentos marcantes do seu percurso enquanto líder do Banco de Portugal, entre 2010 e 2020.

Às 22h45 de domingo, 3 de Agosto de 2014, o então Governador do BdP, Carlos Costa, anunciou a resolução que ditou o fim do Banco Espírito Santo. “O Conselho de Administração do Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao Banco Espírito Santo SA uma Medida de Resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo denominado de Novo Banco devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos”, fica para a história como o discurso que decreta o fim do BES.

O primeiro-ministro António Costa terá feito pressão sobre Carlos Costa, então Governador do Banco de Portugal, de forma a que Isabel dos Santos se pudesse manter na administração do Banco BIC. É o que conta Luís Rosa no seu livro “O Governador”, em que revela momentos marcantes do seu percurso enquanto líder do banco central, entre 2010 e 2020.

De acordo com o “Observador“, na obra são revelados “factos até agora desconhecidos sobre a intervenção da troika, o caso Banco Espírito Santo e a resolução do BANIF, entre outros temas”, assim como detalhes sobre as tensões “com José Sócrates, António Costa e Mário Centeno e as guerras com Ricardo Salgado e a família Espírito Santo”.

Um dos episódios contados por Luís rosa passa-se em abril de 2016, quando o governador informou Isabel dos Santos, a maior acionista do BIC, e Fernando Teles, sócio da filha mais velha do ex-presidente de Angola, que tinham de se afastar do Conselho de Administração do Banco no qual tinham uma participação de 20%. Uma decisão que tinha por objetivo fazer passar aos mercados a certeza de que aquela instituição bancária em nada estava relacionada com os problemas a que estava exposto o BIC Angola.

Isabel dos Santos não aceitou a ideia e gerou-se uma discussão entre os dois, com a engenheira e empresária a subir o tom, adotando uma abordagem agressiva. Perante a determinação de Carlos Costa, recorreu às instâncias mais altas do poder político, incluindo ao primeiro-ministro português, que terá defendido a posição da mesma. Contudo, sem sucesso: tanto a filha do antigo  presidente de Angola como Fernando Teles foram substituídos nos seus cargos.

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