Miguel Setas: “Apesar do cenário desfavorável, o projeto ficou dentro dos custos e prazos”

O CEO salienta que mesmo no contexto da crise que o Brasil atravessa, houve êxito no financiamento da barragem. Prevê que o próximo ano irá ser de crescimento económico, o que deverá reforçar o negócio da energética portuguesa no Brasil.

CEO da EDP Energias do Brasil desde janeiro de 2014, Miguel Setas entrou no Grupo EDP em 2006. Foi administrador da EDP Comercial, da EDP Inovação, da Portgás e da Fundação EDP.

No Grupo Galp Energia foi Diretor de Marketing Estratégico e Administrador da Lisboagás. Foi ainda Administrador da CP – Comboios de Portugal e presidente da CP Lisboa.

O que é que permitiu antecipar o início da operação da central de São Manoel?
Sem dúvida alguma foi a experiência da EDP em projetos similares anteriores ao do Aproveitamento Hidroelétrico de São Manoel, implementando mecanismos de gestão que garantiram um acompanhamento efetivo e permanente dos riscos e oportunidades.
Durante a obra, a EDP alterou o seu modo de gestão, passando de um formato de contrato EPC para um modelo multi-contratual em plena implantação do empreendimento.
Neste novo modelo, a São Manoel fez a gestão direta destes contratos e, para atingir os objetivos, foi realizado, para além dos controlos construtivos, o mapeamento dos riscos e dos stakeholders. A metodologia organizada por processos e muito bem definida permitiu o acompanhamento do desenvolvimento do empreendimento, mitigando os riscos e corrigindo os desvios em tempo real. Tudo isso sem desrespeitar o meio ambiente e os compromissos sociais, em especial dos povos indígenas.
Por fim, a condução do projeto ocorreu dentro dos custos, prazos e riscos controlados, mesmo num cenário desfavorável, mostrando a maturidade e competência da EDP no desenvolvimento de grandes projetos de engenharia.

Está em fase de testes ainda – qual é o calendário para as próximas fases de operação?
O Aproveitamento Hidroelétrico de São Manoel é composto por quatro unidades geradoras, as unidades 1 e 2 já estão sincronizadas no Sistema Interligado Nacional (SIN). A unidade geradora 1 completou as 96 horas de operação ininterrupta em plena carga, esta etapa é um requisito do Operador Nacional do Sistema (ONS) para demonstrar que a máquina está totalmente testada e pronta para a operação comercial.
Na unidade geradora 2, os testes estão progredindo bem e em breve iniciaremos a operação em teste e teste de disponibilidade de 96 horas.
As unidades 3 e 4 estão nas fases finais de comissionamento e montagem, respetivamente, com previsão de entrada em operação comercial no primeiro trimestre de 2018.

O que é que este projeto representa para a EDP e para a EDP Brasil, em termos de nível de financiamento e estratégia para a operação no país?
Em termos de estratégia, a EDP Brasil segue firme com o objetivo de ser uma empresa de referência no mercado energético brasileiro, com enfoque nos negócios de Geração, Distribuição, Transmissão, Comercialização e Serviços de Energia. Nesse sentido, a implantação do Aproveitamento Hidroelétrico de São Manoel tem um papel estratégico para a EDP e para o país, agregando 700 MW de potência, potencializando assim a unidade de geração da empresa.
São Manoel é representativo não só no aspeto energético, como também no mercado financeiro brasileiro, fato comprovado pela ANBIMA ao destacar que em 2016 realizou o maior volume individual em Project Finance. Mesmo num cenário restritivo ao crédito, no contexto da crise económica Brasileira, houve êxito no financiamento do empreendimento.

Que impacto irá ter este projecto nos resultados da EDP Brasil para 2018 e anos seguintes?
O Aproveitamento Hidroelétrico de São Manoel (700 MW) é uma parceria, na proporção de 1/3 (um terço), entre EDP Energias do Brasil, CTG e Furnas Centrais Elétrica S.A. Na entrada em operação das quatro unidades, o terço correspondente a EDP (233 MW) permitirá um incremento de 8,4% na capacidade instalada, passando dos 2.763 MW (dados do terceiro trimestre do ano 2017) para 2.996 MW. Desta forma o segmento de Geração consolida-se como um dos principais vetores estratégicos para o crescimento dos negócios da EDP Energias do Brasil.

De forma geral quais são os principais marcos que a EDP Brasil espera atingir em 2018? Qual é o outlook em termos de desempenho e quais são os principais fatores que irão estar em foco?
2018 será um ano determinante para o Brasil, ano de eleições presidenciais, um ano que deverá ser de estabilização e crescimento económico, o que deverá ajudar a fortalecer os negócios da EDP.
Neste contexto, os principais fatores que estarão em foco são, primeiro, o fortalecimento da cultura EDP e acima de tudo cultura de segurança, essa é uma área onde deverão ser concentrados todos os esforços até atingir o objetivo de zero acidentes. Segundo, fortalecer os negócios e focar na expansão da nossa empresa.
Finalmente, a inovação, porque estamos num momento de grande transformação, num momento em que o setor elétrico está a reinventar-se e a EDP quer ser líder nesse processo de evolução.

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