Após visita de Soares, Sócrates contra-ataca

A visita do antigo Presidente da República, Mário Soares, ao estabelecimento prisional de Évora mudou tudo. Certamente, Sócrates vai receber as vistitas de muitos outros socialistas. O novo líder do Partido Socialista (PS), António Costa terá de levar isso em conta na composição do seu secretariado-geral. E foi, certamente, o que deu força ao ex-primeiro-ministro […]

A visita do antigo Presidente da República, Mário Soares, ao estabelecimento prisional de Évora mudou tudo. Certamente, Sócrates vai receber as vistitas de muitos outros socialistas. O novo líder do Partido Socialista (PS), António Costa terá de levar isso em conta na composição do seu secretariado-geral.

E foi, certamente, o que deu força ao ex-primeiro-ministro José Sócrates a contra-atacar.

José Sócrates classifica de “absurdas, injustas e infundamentadas” as acusações que lhe são dirigidas no âmbito do processo de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, afirmando que o caso “tem também contornos políticos”.

Numa carta de oito parágrafos, ditada ontem à tarde ao jornal Público pelo seu advogado, e também enviada à TSF, o ex-primeiro-ministro queixa-se de “humilhação gratuita”, promete “desmentir as falsidades” que lhe são apontadas e “responsabilizar os que as engendraram”.

José Sócrates, que responde no âmbito de um processo por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção, responsabiliza o Ministério Público pela acusação, que diz ter “também contornos políticos.”

PS de fora

O ex-primeiro-ministro José Sócrates apelou ao PS para não se envolver no processo judicial em que está indiciado pela prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção.

“Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia”, salienta José Sócrates numa carta enviada ao jornal Pública e à TSF, divulgada esta noite de quarta-feira.

Na missiva, que foi ditada por Sócrates ao seu advogado a partir do estabelecimento prisional de Évora, alerta ainda que “este processo só agora começou”.

A carta de Sócrates na íntegra

“Há cinco dias “fora do mundo”, tomo agora consciência de que, como é habitual, as imputações e as “circunstâncias” devidamente selecionadas contra mim pela acusação ocupam os jornais e as televisões. Essas “fugas” de informação são crime. Contra a Justiça, é certo; mas também contra mim.

Não espero que os jornais, a quem elas aproveitam e ocupam, denunciem o crime e o quanto ele põe em causa os ditames da lealdade processual e os princípios do processo justo.

Por isso, será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.

A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espetáculo montado em torno dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e constitui uma humilhação gratuita.

Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder – de prender e de libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente.

Defender-me-ei com as armas do Estado de Direito – são as únicas em que acredito. Este é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido.

Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos e sensibilizam-me as manifestações de solidariedade de tantos camaradas e amigos. Mas quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia.

Este processo só agora começou.

Évora, 26 de Novembro de 2014

José Sócrates

OJE/Lusa
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