APPC quer combater “esmagamento do mercado interno”

“Comprar bem” um projeto ao invés de optar sempre pela “opção mais barata” é um dos caminhos apontados

“O futuro da economia portuguesa não depende de Portugal. Está sim dependente do que os portugueses sejam capazes de fazer num mercado global” afirmou o economista Augusto Mateus na comemoração dos 40 anos da APPC – Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores. Augusto Mateus, convidado a falar sobre o tema da internacionalização, avançou ainda que, atualmente, num mundo globalizado, “a internacionalização não é uma necessidade mas sim um ato de inteligência”.

No painel sobre a internacionalização, moderado por Nicolau Santos, José Vital Morgado, do AICEP, sublinhou ainda que “os portugueses são melhores do que aquilo que se acham”. O tema ganha pertinência para a associação numa altura em que os associados da APPC exportam mais de 60% da sua atividade depois de do mercado interno ter diminuído para metade durante a crise económica.

O outro tema em destaque no evento no Palacete do Tivoli, em Lisboa foi a contratação pública. Luís Valadares Tavares, Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, lembrou a importância de “comprar bem” um projeto ao invés de optar sempre pela “opção mais barata”, o que leva ao atual estado de “esmagamento do mercado interno”.

Para comentar a questão, foi chamado Fernando Silva, Presidente do Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, que reforçou que se deve “abandonar a visão minimalista de que comprar bem é comprar barato”. “Não devemos olhar para a compra pública como forma de satisfazer as necessidades coletivas mas sim como um meio para construir políticas públicas” concluiu.

“Os nossos associados vivem um momento altamente desafiante após a crise económica ter tido grande repercussão no nosso setor. Com este evento, para além de comemorar os 40 anos de história da APPC, sempre a contribuir ativamente para o desenvolvimento do país, quisemos apontar o caminho da internacionalização como solução e, mais uma vez, apontar o dedo ao esmagamento do mercado interno, que advém, em grande parte, dos critérios atuais da contratação pública. Devem contratar-se projetos de qualidade e sustentáveis e não apenas os projetos mais baratos” afirma Victor Carneiro, presidente da APPC.

A APPC conta atualmente com cerca de 140 empresas associadas, com um volume de negócios de cerca de 370 milhões de euros, o que representa um quarto do mercado. Durante a crise económica, a atividade global do setor decresceu cerca de 30%, sendo que o mercado interno se reduziu em mais de 50%. O número de empresas reduziu-se em 20% e o pessoal ao serviço, 18%.

OJE

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