Argentina: novo ‘superministro’ vai tentar resolver caos económico

O presidente Alberto Fernández, acossado por uma crise política profunda e por uma não menos profunda crise económica, está a testar mais uma via para resolver pelo menos a segunda.

No meio de uma crise económica que se tem revelado incontrolável, Sergio Massa, presidente da Câmara dos Deputados e um dos mais destacados líderes da Frente de Todos, a coligação peronista que governa a Argentina, foi nomeado ministro da Economia pelo presidente Allberto Fernández.

Massa vai chefiar um ministério que vai agregar as pastas da Indústria e Agricultura e a nova estrutura, segundo adianta o jornal espanhol “El Pais” na sua versão sul-americana, dar-lhe-á o controlo total da economia, como aliás exigiu para aceitar a nomeação. O deputado é advogado, mas Fernández decidiu confiar na sua reconhecida capacidade de gestão e no seu perfil político.

“O presidente Alberto Fernández decidiu reorganizar as áreas económicas do seu gabinete para melhor funcionamento, coordenação e gestão. Nesse sentido, os ministérios da Economia, Desenvolvimento Produtivo e Agricultura, Pecuária e Pescas serão unificados, incluindo também as relações com organismos internacionais, bilaterais e multilaterais de crédito” (leia-se o FMI), informou a Casa Rosada, sede do governo, em comunicado.

Sergio Massa, de 50, é um peronista centrista com bons contactos em Wall Street e reputação de bom administrador. O seu nome estava no topo da lista para substituir o ministro Martín Guzmán, mas, para além das suas exigências específicas, contava com a oposição de Cristina Kirchner – que é há meses a maior dor de cabeça de Fernández. Kirchner vê em Massa um rival a temer, diz o jornal.

Em 2008, Massa substituiu Alberto Fernández como chefe de gabinete de Cristina Kirchner. Um ano depois, farto dos desentendimentos com a então presidente da Argentina, apresentou a demissão e fundou a Frente Renovadora – que 2015 obteve 21% dos votos nas eleições presidenciais de 2015. Parte da sua campanha foi de grande confronto com Kischner: “vou mandar Cristina para a cadeia”, terá dito.

Neste contexto, a sua chegada à Casa Rosada é uma má notícia para Kirchner. Mas a vice-presidente também entende, segundo a mesma fonte, que, sem uma mudança profunda de nomes, o governo está irremediavelmente a cair no vazio e na irrelevância.

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