Argentina pede a Portugal que considere Malvinas como “zona de litígio”

“[O ministro argentino Felipe Solá pediu que] nas negociações da União Europeia com o Reino Unido, depois do Brexit, as Malvinas sejam consideradas como zona de litígio e não como território ultramar do Reino Unido”, diz a nota do Ministérios das Relações Exteriores da Argentina, esclarecendo que o pedido argentino tem sido elevado também aos demais chanceleres europeus.

Pedro Siza Vieira e António Costa | Twitter António Costa

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Argentina mantiveram hoje uma reunião durante a qual a Argentina pediu que Portugal, na Presidência da União Europeia, considere as Malvinas como “zona de litígio” nas negociações com o Reino Unido.

“[O ministro argentino Felipe Solá pediu que] nas negociações da União Europeia com o Reino Unido, depois do Brexit, as Malvinas sejam consideradas como zona de litígio e não como território ultramar do Reino Unido”, diz a nota do Ministérios das Relações Exteriores da Argentina, esclarecendo que o pedido argentino tem sido elevado também aos demais chanceleres europeus.

As ilhas Malvinas, sob domínio britânico desde a ocupação em 1833, têm a sua soberania reivindicada pela Argentina.

A reunião de trabalho por videoconferência entre o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva e o argentino das Relações Exteriores, Felipe Solá, aconteceu no contexto das Presidências que os dois países vão exercer dos seus respectivos blocos.

A Argentina assumiu na quarta-feira (16) a Presidência semestral do Mercosul, bloco formado ainda por Brasil, Paraguai e Uruguai e que tem a Venezuela suspendida por “rotura da ordem democrática” desde 2016.

No ano passado, o Mercosul e União Europeia fecharam um acordo de comércio livre depois de 20 anos de negociações. O atual governo argentino do Presidente Alberto Fernández assumiu, há um ano, sob a promessa de “rever” o entendimento e alterar os termos do acordo, mas a postura foi amenizada e a decisão de aprovar ou não o texto ficou para os legisladores.

“Com respeito ao acordo Mercosul-União Europeia, temos um olhar favorável, apesar dos riscos, apontando para o futuro com a perspectiva de melhorar a economia”, indicou o ministro Felipe Solá, acrescentando que “a Argentina deseja a incorporação da Bolívia” ao Mercosul.

Como representantes dos seus blocos até junho de 2021, os ministros acertaram “manter um diálogo fluído e um contato permanente para acompanharem de perto o desenvolvimento dos dois blocos e os desafios de Portugal e Argentina no exercício dessas respectivas lideranças”.

No âmbito bilateral, Portugal e Argentina “coincidiram com a necessidade de aumentar e de diversificar o comércio”.

Em 2021, será comemorado o bicentenário de uma decisão estratégica entre os dois países. Portugal foi o primeiro país em reconhecer a independência da Argentina. Aconteceu em 28 de julho de 1821, quando o português João Manuel de Figueiredo, primeiro representante diplomático de Portugal em Buenos Aires, entregou as suas cartas credenciais como agente de relações comerciais, reconhecendo, imediatamente, a Independência argentina por parte de Portugal.

“Em 2021, se a situação epidemiológica permitir, estão previstas celebrações nos dois países”, conclui a nota do MNE argentino.

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