Arménia rejeita negociações com a Rússia e pede auxílio a França

O controlo de Vladimir Putin sobre os seus aliados regionais parece estar a perder-se. Pelo menos no caso da Arménia, que pediu ajuda a Emmanuel Macron para as negociações com o Azerbaijão.

A Arménia pediu ao presidente francês Emmanuel Macron para presidir às negociações de paz com o Azerbaijão, naquilo que os analistas consideram ser um desafio ao controlo de Vladimir Putin sobre os seus aliados regionais.

O pedido surge depois de Putin ter organizou um encontro inconsequente entre os os líderes dos dois países e parece vir na sequência de uma cimeira de seis ex-Estados soviéticos, que decorreu esta semana, e que, segundo os analistas, não correu bem para o presidente russo. Alguns observadores dizem mesmo que na altura da ‘foto de família’, o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, se afastou de Putin – apesar de a cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO) ter tido lugar em Yerevan, capital da Arménia.

Pashinyan recusou assinar a declaração final da cimeira, acusando a organização – que divide com a Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão – de não ter respondido a um pedido formal para que o CSTO interviesse em nome da Arménia e em seu favor junto do Azerbaijão.

Os dois países estão há três décadas envolvidos numa guerra de baixa intensidade, com o mais recente surto de violência, em setembro, a resultar na morte de 207 soldados arménios e de 80 azerbaijanos.

Depois disso, Pashinyan procurou o envolvimento de França nas negociações marcadas para 7 de dezembro em Bruxelas. A União Europeia decidiu há pouco mais de um mês tomar em mãos o processo de Nagorno-Karabakh, com resultados até agora nulos. Resta saber se a França está disposta a tomar público partido por um dos lados – tanto mais que, segundo a maioria dos analistas, o enclave pertence ao Azerbaijão e não à Arménia.

Mesmo assim, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, pondera agora suspender a ssua participação na reunião de Bruxelas, afirmando que, se a França estiver antecipadamente do lado da Arménia, não aceitará a sua condição de mediador.

 

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