Arqueologia da UAlg atinge nível de excelência e demarca-se no financiamento europeu

Nuno Bicho, alma mater do ICArEHB, revela-nos a estratégia que está por trás dos resultados que fazem deste centro um foco de atratividade e podem inspirar outras instituições nacionais.

A proeza é inédita e pertence ao Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve (ICArEHB).

Três dos seus investigadores submeteram projetos a financiamento do Conselho Europeu de Investigação (ERC) e todos foram aprovados. Resultado? A UAlg recebe bolsas de investigação em todas as categorias: Starting Grant, Consolidator Grant e Advanced Grant. Melhor era impossível.

Vera Aldeias foi a primeira a celebrar e fê-lo duplamente. Deu à Universidade do Algarve a sua primeira bolsa ERC e brindou Portugal com a primeira bolsa desta natureza na área da Arqueologia. Os cerca de 2 milhões de euros da bolsa vão mergulhá-la nas dinâmicas que levaram à transição do homem de Neandertal para o Homo Sapiens, no continente europeu. A seguir festejou, João Cascalheira. O envelope de 1,9 milhões vai permitir-lhe estudar o desaparecimento dos Neandertais na Península Ibérica. Nuno Bicho selou a celebração com 2,5 milhões, que servirão para investigar a dinâmica das primeiras migrações do Homo Sapiens a partir de África.

“Este resultado — explica Nuno Bicho ao JE Universidades — deve-se, sem dúvida, à capacidade dos investigadores que prepararam as propostas e que têm o trabalho feito, mas é o resultado da estratégia do ICArEHB e da sua equipa ao longos dos anos”.

A estratégia começou a ser construída há cerca de dez anos e na sua base está o investigador, hoje professor catedrático e vice-reitor da UAlg, que nos anos noventa bebeu conhecimento e experiência internacional com uma bolsa da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT). Nuno Bicho conta-nos que o arranque foi feito “com alguma dificuldade”, e com uma dezena de pessoas, o mínimo exigido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia a cujo financiamento concorreram. “A estratégia era muito específica, muito apostada nos jovens investigadores, na internacionalização e na publicação de grande impacto”, explica-nos. O repto dirigido aos jovens que tinham deixado Portugal e brilhavam lá fora teve eco. Vera Aldeias e Susana Carvalho, por exemplo, disseram adeus à Alemanha e à Inglaterra e juntaram-se à equipa da Universidade do Algarve. O projeto afirmou-se. Em 2018 voltou a obter financiamento da FCT e continuou a crescer. O passo seguinte da estratégia seria: ganhar independência através da captação de financiamento europeu. O resultado está à vista.

O ICArEHB é um centro arqueológico com grande perspetiva antropológica social, um factor diferenciador face à matriz tradicional da arqueologia. Conta com uma vintena de investigadores residentes, número que vai crescer significativamente em consequência deste facto inédito.

A atratividade desta unidade da Universidade do Algarve, especialista em projetos para bolsas milionárias, chega agora também aos centros de investigação. Os bons exemplos são para ser copiados.

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