Arranca hoje a 39ª edição do Festival de Almada sob o signo do encontro e do espanto

De 4 a 18 de julho o teatro fala mais alto e todas as questões sobem ao palco. Para sorrirmos, pensarmos, refletirmos, questionarmos. Encontro marcado em Almada e Lisboa.

© Théâtre de la Ville

 

Reza a história que o Teatro nasceu há mais de 2.500 anos, na bacia do Mediterrâneo. Consta também que essa arte, sendo reunião de gentes – uns para vestir a pele de terceiros e outros para assistir à representação dos primeiros – se realizavam ao ar livre, chegada a época estival.

Tradição é tradição, e o homem que em 1978 se instalou em Almada, com a sua companhia de teatro, pôs em marcha aquilo que viria a ser um dos principais fenómenos teatrais do país, e cujo expoente máximo será porventura o Festival de Almada. Falamos de Joaquim Benite, mentor do “furacão” das artes de palco que, todos os anos, pelo início de julho, recorda a todos que é tempo de celebrar a tradição.

A promessa cumpre-se após dois anos de pandemia e confinamentos. Regressa o Festival de Almada, cumpre-se a tradição ao ar livre, celebra-se a 39ª edição e, também, o palco no interior. Como bem recorda o atual diretor artístico do festival, Rodrigo Francisco, invocando as palavras de Jorge Silva Melo:

“Ai, quem não conhece a Esplanada da Escola D. António da Costa

durante o mês de Julho não saberá nunca o que é a doçura da arte”.

E assim será. Hoje, dia 4 de julho, está marcado o regresso à Esplanada da Escola D. António da Costa com concertos todos os dias, ao início da noite. Sob o signo do encontro e do espanto, o festival recupera a vertente internacional, volta a promover encontros com os criadores, a apostar em exposições e na formação artística.

Este ano, a abertura do Festival de Almada cabe ao suíço Christoph Marthaler, um reincidente. Aucune Idée – “Nenhuma ideia” poderia ser uma provocação servida ao público ao som de Bach e de genéricos de programas de TV, um de muitos encontros improváveis nesta sonata íntima protagonizada por um ator, Graham F. Valentine, e um músico, o violoncelista Martim Zeller.

Nos dias 5 e 6 de julho, o Teatro Municipal Joaquim Benite recebe “Noite de Reis”. Um texto de William Shakespeare encenado pelo dramaturgo alemão, e também encenador, Peter Kleinert, que regressa a Almada na 39ª edição, depois de aqui ter dirigido “A boa alma de Sé-Chuão”, em 2018.

Na semana seguinte, espreite-se “Museu Pasolini”, de Ascanio Celestini no Fórum Municipal Romeu Correi (7,8 e 9 de julho) ou “I was sitting on my patio this guy appeared I thought I was allucinating” – com texto e conceção do americano Robert Wilson, também ele um regressado ao Festival de Almada, depois de “Mary Said What She Said”, apresentado em 2019″ – que aceitou co-encenar esta criação com Lucinda Childs 45 anos depois da original ser apresentada. Um espetáculo de rutura e uma eterna surpresa.

Todos os espetáculos mereciam ser aqui enunciados, mas nenhum artigo invalida a consulta do programa completo, com pistas várias, e detalhadas sobre todos os participantes, dos encenadores e elenco, à cenografia, músicos envolvidos, montagem, som e outros intervenientes fundamentais para que esta que é uma das mais antigas expressões artísticas do Homem continue a surpreender-nos e a fazer-nos questionar e refletir sobre o mundo.

O Festival de Almada decorre até dia 18 de julho e também se faz de música de ritmos e cantares de várias latitudes. Do Afeganistão ao Brasil, passando por Cabo Verde, Angola e Portugal.

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