Artes à Rua 2022: Évora explode de música

Entre 28 de julho e 14 de agosto, o Artes à Rua quer pôr o presente, o passado e o futuro a dançar. E dar música ao público, que vai poder viajar do hip hop à eletrónica, do Magrebe ao Alentejo. O mundo cabe todo em Évora.

Mario Lucio

Évora foi conquistada aos mouros em 1165 por Giraldo Sem Pavor. De Giraldo, ou Geraldo, não temos rosto, mas o nome e a lenda perduram. A praça principal, ícone da cidade, ostenta o seu nome. A Yabura muçulmana deu lugar à Évora cristã, mas esta nunca deixou de pulsar aos com as mais diversas sonoridades. E assim volta a acontecer entre 28 de julho e 14 de agosto, com o regresso do Artes à Rua, um festival onde as músicas não se deixam rotular e promovem diálogo intercultural com todas as artes.

Trocar ideias, bater-papo, pôr o verbo fervilhar bem no ponto. O mesmo é dizer, dar vida à criação, que muitas vezes envolve criadores de lugares distantes, disciplinas artísticas diversas, línguas diferentes. A edição de 2022 volta a apostar nesse “fervilhar” e assenta em duas residências artísticas: uma delas traz o Magrebe na bagagem. Quem sabe, “Yabura” voltará a ecoar nas ruas de Évora.

Um reencontro que envolve Soukaina Fahsi, magrebina de El Jadida, e os Cantares de Évora, com direção artística do Carlos Menezes, compositor e músico de Estremoz, eborense de adoção. Celebrando a tolerância e o (re)encontro, as polifonias que emergem dos campos do Alentejo durante as duras jornadas de trabalho irão assim ao encontro das sonoridades sufi do Magrebe.

A outra residência viaja entre o Alentejo e a África austral, pela mão da moçambicana Lenna Bahule e do alentejano da raia e eborense por adoção, Tó Zé. Um duo que assina a criação “Revoada”, que é também o espetáculo de abertura do festival, dia 28 de julho, pelas 21h30. Nos dias 29 e 30 de julho, O Bairro volta à cidade, com curadoria de Rui Miguel Abreu, diretor da revista digital “Rimas e Batidas”.

As diferentes expressões urbanas vão estar em foco nesta edição e a palavra será estrela. Desde DJ sets de DJ SIMS, M3dusa e Gijoe, a gravações ao vivo de programas de rádio e podcasts, passando pela atuação de poetas e artistas de spoken word – como Nerve e Alice Neto de Sousa –, a que se somam os concertos de Perigo Público + Sickonce, Pródigo, Mazarin + Amaura e M.A.C. + Blasph. Destaque ainda para o concerto da chilena Ana Tijoux.

Agosto traz nomes da cena musical portuguesa tão distintos quanto MARO, a cantora que representou Portugal no Festival da Canção em 2022 e que atua a 3 de agosto; Club Makumba, o projeto musical de Tó Trips (Dead Combo, Lulu Blind; a 9 de agosto) e João Doce (Wraygunn), que integra também Gonçalo Prazeres e Gonçalo Leonardo; BATEU MATOU, onde confluem computadores e tambores e a verve criativa de Riot (Buraka Som Sistema), Ivo Costa (Batida, Sara Tavares) e Joaquim Albergaria (Paus) a 11 de agosto; e um músico que hoje já dispensa apresentações, Dino D’Santiago, que sobe ao palco no dia 14 de agosto.

E agora que falámos em Dino D’Santiago, fazemos a ponte para outro “prato forte” do festival: as sonoridades de Moçambique e Cabo Verde. Mario Lucio Sousa & os Kriols vão encher o ar de Morabeza e Sodade, mas também pode lançar-se nos ritmos afro-futuristas de Scúru Fitchádu, nome artístico de Marcus Veiga. O melhor mesmo é consultar a programação completa e descer à rua em busca desta Évora que põe presente, passado e futuro a dançar.

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