As diferentes tribos do desporto

Cabe às organizações desportivas avaliar os diferentes graus de envolvimento dos seus adeptos para poderem intervir eficazmente, visto a paixão por um clube ser uma matéria muito complexa.

Existem múltiplos estudos científicos que tentam determinar como nasce a paixão por um clube. Trata-se de uma matéria muito complexa que combina diversas influências, sendo extraordinariamente difícil desenvolver estratégias mediante os resultados. Não é fácil para um clube, mesmo depois de estudadas estas influências, desenvolver mecanismos efetivos de captação de adeptos. Seja na perspetiva de adepto ou praticante, acabamos invariavelmente por nos tornarmos fãs de um clube ou modalidade. Pensemos nas dificuldades de relacionamento entre benfiquistas, sportinguistas e portistas, voleibolistas, basquetebolistas e andebolistas ou surfistas e bodyboarders para procurarmos entender que cada tribo tem a sua perspetiva.

Temos ainda que perceber que ser adepto, de um clube ou modalidade, pode ser avaliado em grau de intensidade e envolvimento significativamente diferentes. Importa entendê-los o melhor possível. Os prestigiados investigadores norte-americanos Sutton, Mullin e Hardy desenvolveram um modelo que explica estas mesmas diferenças em grupos de adeptos divididos em sete gnúcleos distintos. Numa escala em que vamos de um grau de intensidade elevado até ao menos elevado aparecem as denominações: muito uso, médio uso, uso normal, pouco uso, consumidor externo, indiferente e desinteressado.

O adepto “muito uso” é aquele que mais fielmente acompanha a equipa, nos seus jogos em casa e fora, tendo um lugar cativo ou chegando mesmo a ser membro de uma claque organizada. O adepto “médio uso” não tem um envolvimento tão forte, mas mesmo assim, normalmente sendo sócio, acompanha todos os jogos da sua equipa em casa. A classificação “uso normal” é atribuída ao simpatizante que assiste à maior parte dos jogos da sua equipa e acaba por comprar o bilhete para o jogo no próprio dia. No segmento “pouco uso” estão os indivíduos que assistiram a pelo menos um jogo da sua equipa, mas não voltaram a consumir. Podem ser indivíduos descontentes com o treinador, clube ou direção.

Daqui avançamos para o “consumidor externo” que não assiste aos jogos, mas acompanha os jogos pelos meios de comunicação social, e para o “indiferente, que é indiferente ao clube e aos seus feitos mas que o conhece. Por último, surge o “desinteressado”, pessoa totalmente desinteressada ao produto (equipa) ou ao produto genérico (modalidade) e que normalmente nunca o experimentou.

Às organizações desportivas cabe sempre tentar avaliar os diferentes graus de envolvimento dos seus adeptos para poderem intervir eficazmente. Será razoável pensar que um “desinteressado” vai passar de um momento para o outro para “médio uso”? Então porquê as famosas campanhas de sócios que tentam resolver, de uma forma só, todo o tipo de adeptos de um clube? Provavelmente uma decisão acertada passará por propor a alguém que assiste a um ou dois jogos por ano um pacote de cinco ou seis jogos para incrementar gradualmente a relação com a equipa.

Os consumidores são cada vez mais difíceis de entender e, no mundo do desporto, tal facto também se verifica. As empresas investem somas astronómicas em pesquisas de mercado tentando entender motivações, perceções e comportamentos dos consumidores perante marcas, produtos, embalagens e campanhas. Sabemos no entanto que estes métodos nem sempre são fiáveis, pois os consumidores quando avaliados alteram por vezes as suas respostas e opiniões.

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