“As empresas mais data-driven conseguiram suportar melhor a pandemia”, diz Microsoft Portugal

O diretor executivo de Canal e Parceiros da Microsoft Portugal, Abel Aguiar, considera que empresas viradas para os dados são capazes “de identificar, capturar, analisar diferentes tipos de dados para extrair insights e usá-los para crescer, inovar, aumentar a sua velocidade na ida ao mercado”.

As empresas data-driven, com uma gestão orientada para os dados, estão mais aptas para enfrentar a incerteza e volatilidade política, económica e social, porque conseguem antecipar tendências e reinventar-se em tempo recorde caso haja um bloqueio nas cadeias de abastecimento ou mudança legislativas.

A opinião é de Abel Aguiar, diretor executivo de Canal e Parceiros da Microsoft Portugal, que foi um dos dois oradores na conferência “Data Driven Leadership”, promovida esta quinta-feira pela Microsoft Portugal e da qual o Jornal Económico (JE) é media partner.

“As empresas que estavam digitalmente mais evoluídas tiveram uma capacidade de suportar a pandemia, ao prever o que ia acontecer: a disrupção das cadeias logísticas, colocar os trabalhadores em casa, a segurança… As empresas mais data-driven conseguiram suportar melhor a pandemia”, assegurou, recordando as palavras de Satya Nadella, CEO da Microsof, de que se fez “dois anos de transformação digital em dois meses”.

Mas o que distingue uma data-driven company de outra qualquer? As empresas data-driven são aquelas que põem os dados no centro de decisão, modelam a sua atividade com conhecimento e olham para informação como o ativo económico e estratégico, capaz de alavancar a sua oferta de produtos. O conceito não olha a dimensões, segmentos de atividade ou sectores públicos e privados.

“Uma intelligent driven organization é uma organização capaz de identificar, capturar, analisar diferentes tipos de dados para extrair insights e usá-los para crescer, inovar, aumentar a sua velocidade na ida ao mercado e ser mais eficiente do ponto de vista de custos”, explicou Abel Aguiar.

O Banco Montepio é uma das empresas que “está no caminho de ser uma data driven company”. A garantia foi dada pela diretora de Sistemas de Informação, Dados e Analítica do banco. “O Banco Montepio tem uma estratégia de data-driven muito concentrada e com uma liderança grande da sua administração e com o envolvimento de todas as unidades orgânicas. Sabemos que a análise de dados não é nova na banca, nomeadamente em áreas de risco e fraude, mas também sabemos que isto é uma maratona e temos quick wins”, explicou Sara Candeias.

No roadmap do banco está o aumento da capacitação tecnológica dos seus recursos humanos. Ou seja, investir em literacia digital. “Mas primeiro é preciso o mindset [mentalidade]: temos os dados nos quais acreditamos, construímos uma golden source, dados com ownership e stewardship, dados integrados com as necessidades do negócio para que se possa medir resultados e com essa medição às vezes alterar a estratégia”, detalhou a diretora de sistemas do Montepio.

O valor da informação é comprovado pelo facto de entre as mais valorizadas empresas cotadas em bolsa no mundo quatro operarem modelos de negócio onde os dados desempenham um papel proeminente, tendo já ultrapassado, cada uma delas, uma capitalização de um bilião de dólares (cerca de 955 mil milhões de euros), conforme destacou o moderador da sessão, Ricardo Santos Ferreira, subdiretor do JE.

“O Montepio, pelo acervo informacional que já tem, em 178 anos de história (não que tenha todos esses anos digitalmente), tem muitos clientes, muitas contas e muitas transações, beneficiando eles do melhor trabalho e modelação, numa arquitetura otimizada e construída para que, democraticamente, se dê informação com segurança a todas as unidades orgânicas para dela tirarem partido. É esse o caminho”, assegurou Sara Candeias.

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