As interrogações para 2022

A próxima geração será certamente mais pobre do que a nossa. Estamos no final do ano e é comum perspetivar 2022. Não com a arte de adivinho, mas com o raciocínio e muita informação recolhida.

1 – Estamos no final do ano e é comum perspetivar 2022. Não com a arte de adivinho, mas com o raciocínio e muita informação recolhida. As questões da pandemia vão continuar a adensar preocupações, mas talvez não com a mesma dureza com que sofremos nos dois últimos anos; temos um conflito latente na fronteira Rússia-Ucrânia; temos a crise dos migrantes, os quais continuam incompreendidos, tanto por quem os utiliza como arma de guerra, como por quem os afasta sem lhes dar uma esperança de solução. Temos ainda os problemas recorrentes dos ataques cyber aos países, empresas e famílias e que podem controlar tudo, e ainda os problemas demográficos e de clima que irão afetar a próxima geração.

Mas é falar desta próxima geração que é mais relevante. E se nos focarmos em Portugal e na geração melhor preparada de sempre em termos curriculares é que nos damos conta de como a geração que está no poder falhou. Não criou condições de riqueza para a posteridade porque consumiu e voltou a consumir e, por isso, a próxima geração terá dificuldade a nível de poupança, de reformas, de coberturas das necessidades de saúde e de educação. E, dito de outra forma, será certamente uma geração mais pobre do que a nossa.

Recorrendo ao exemplo alemão, onde está a emergir uma geração que recebeu as poupanças dos pais e logo é uma geração mais desafogada, no caso português a futura geração poderá receber alguns ativos como uma habitação que os pais pagaram ao longo da vida, mas nada mais. Será uma geração com mais dificuldades porque será mais difícil o acesso aos bens, o dinheiro estará mais caro e mais escasso, não por falta de liquidez, mas por risco de incumprimento.
Aliás, o tema dos juros e da previsível subida destes dentro de meses é, talvez, o tema mais difícil de antecipar para 2022, mas que tem uma relevância extrema pelo impacto que terá nas famílias (com aumento do valor do crédito hipotecário); das empresas (por aumento do custo da dívida) e do país (pelo crescimento da função financeira e necessidade de recolha de mais impostos e taxas). Este 2022 será um ano desafiante em todos os aspetos. Vamos pensar o pior e esperar pelo melhor.

2 – A Escola Básica da Ponte está a criar adeptos e a notícia do jornal “Público” com o tema das escolas com planos de inovação e cursos a la carte está a fazer o seu percurso. A Escola da Ponte tem apresentado excelentes resultados ao longo dos anos mas, claro, é preciso que o leitor comum e sobretudo o aluno ‘balda’ não misture alhos com bugalhos. Neste modelo de escola não há irresponsabilidade e quando se fala em juntar disciplinas há algumas que são obrigatórias e em outras tem de haver coerência, tanto para quem escolha ciências exatas, humanidades ou outra qualquer vertente. Dito isto, aqui fica a critica: Portugal tem sido um laboratório de experiências no ensino e, globalmente, o resultado tem sido medíocre.

3 – Os proprietários de imóveis preparam-se para sofrer. Com o país a precisar de mais recursos financeiros, haverá sectores de atividade mais penalizados e o dos proprietários de imóveis para arrendamento está na mira. Os números são elucidativos. Em média, o IMI irá aumentar 4% para edifícios novos ou reabilitados e nem sequer foi publicada a portaria que beneficiava os proprietários com rendas baixas. Por seu lado, a inflação de 2021 será inferior a 1%, mas as rendas apenas podem aumentar 0,43%. A história repete-se.

 

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