As novas responsabilidades das empresas na era digital

Os dados pessoais e os processos de transformação digital deveriam ter a mesma importância nas organizações que a responsabilidade social ou ambiental.

Tenho escrito e falado sobre as empresas e as responsabilidades que lhes são inerentes numa perspetiva ampla e abrangente, na qual a empresa se posiciona na sociedade enquanto uma organização viva e dinamizadora do bem comum.

Nesta linha, apesar de reconhecer a bondade e o retorno associados a iniciativas de responsabilidade social e de sustentabilidade, as duas áreas em que habitualmente recaem as apostas das organizações, devo confessar a minha dificuldade em ver reduzidas as suas responsabilidades a estas duas vertentes.

Hoje em dia, é necessária uma visão mais holística, que contemple uma concretização prática e mensurável, mas que vá mais a fundo naquilo que uma empresa representa e deve assegurar. Existe um conjunto de responsabilidades e de temas base que não podem ser descurados na construção da sua reputação e de uma relação positiva, segura e consolidada com colaboradores, fornecedores, stakeholders, clientes e sociedade. Entre eles, a correta utilização de dados pessoais e gestão da informação.

Em termos legais, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) oferece as ferramentas base que todos os gestores e decisores devem ter em conta na melhoria contínua das políticas e mecanismos internos implementados neste âmbito. Pese embora as penalizações existentes e a atividade de supervisão da CNPD, necessárias para certificar a identidade de critérios e as regras mínimas a seguir nestes processos, importa ter em conta que este enquadramento não esgota a importância do tema da proteção de dados e das políticas de segurança de informação nas organizações.

Com efeito, estes temas são essenciais no paradigma atual que enfrentamos, não só para o cumprimento dos referidos requisitos legais como para a construção e manutenção da reputação de qualquer entidade. Com os dados pessoais a representarem um dos maiores ativos de qualquer empresa e os processos de transformação digital a assumirem um papel central nas dinâmicas organizacionais, esta responsabilidade deve ser encarada com a mesma importância do que a responsabilidade social ou ambiental.

Face às transformações tecnológicas atuais e ao paradigma decorrente, quer utilizando as estruturas internas, quer recorrendo a consultoras especializadas, a busca pela excelência nas práticas e políticas implementadas na gestão da informação e da proteção de dados constitui a aposta certa para as empresas que queiram assumir a linha da frente da responsabilidade empresarial de hoje, para liderar o mercado de amanhã.

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