As pessoas não podem ficar para trás na nova era

Milhões de euros de investimentos e centenas de megawatts. Ao escrever e ler sobre o mundo da energia, é normal que os grandes números sejam abordados, tal a dimensão dos projetos.

Milhões de euros de investimentos e centenas de megawatts. Ao escrever e ler sobre o mundo da energia, é normal que os grandes números sejam abordados, tal a dimensão dos projetos.

Mas por vezes esquecemo-nos das pessoas cuja vida é afetada pelo encerramento de centrais a carvão ou de refinarias ou pela implementação de projetos de energia renovável. Nas empresas contactadas pelo JE para este especial é dado o enfoque à questão das pessoas e das populações locais: e a mensagem é simples, as pessoas não podem ficar para trás.

A transição energética não pode avançar destruindo postos de trabalho; estes têm de ser reconvertidos para permitir que os trabalhadores continuem a ter uma fonte de rendimento, por vezes em locais sem outras oportunidades de trabalho. Por outro lado, os projetos de energia renovável têm de ser feitos com os devidos cuidados ambientais e envolvendo as populações locais. Em décadas de implementação de projetos de energia renovável, entre centrais hídricas, eólicas e solares, as populações locais têm recebido bem estes novos projetos.

Tem havido o interesse das empresas de envolverem os ‘stakeholders’ locais, entre autarquias e população. Este caminho tem de continuar a ser feito para evitar fenómenos como “not on my backyard” [no meu quintal, não!] que tem força em vários países da Europa. Mas há outras lições a reter para o futuro e vários desafios a superar para Portugal atingir as metas no seu caminho para a transição climática: a rede de transporte e distribuição de eletricidade tem de ser expandida para poder acomodar os novos projetos de energia renovável; o licenciamento de projetos tem de ser mais rápido para os promotores avançarem rapidamente para a construção das suas centrais; a estabilidade regulatória é essencial para atrair investimento nacional e estrangeiro para o sector energético português. Objetivos a serem retidos na Rua do Século e nos restantes centro do poder energético em Portugal.

Recomendadas

A voz da metamorfose

Arquitetos e urbanistas são chamados a desenhar soluções criativas integradas em estratégias maiores, onde é dada voz a uma consciência social e política que tem especial atenção a contextos sociais diversificados.

Portugal perde com a Roménia e falha ‘final four’

As grandes transformações económicas e sociais de que o país precisa para corrigir a trajetória da divergência em relação à Europa não dependem da quantidade de dinheiros comunitários. Depende da conceção estratégica que se quer para Portugal.

Uma estagnação sem mistério

Nem numa área que é querida pelo Governo e que se tornou mais urgente e importante com a invasão da Ucrânia, a energia renovável, a administração pública funciona.
Comentários