ASEAN aperta o cerco ao regime de Mianmar

Um alerta para os líderes do golpe militar de Mianmar surge da parte dos ministros das Relações Exteriores dos países do Sudeste Asiático, se reúnem em Phnom Penh. Lavrov, Blinken e o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros devem marcar presença no encontro.

EPA/STRINGER

A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) decidiu apertar o cerco em torno do regime militar de Mianmar e revelou que pode reconsiderar um plano acordado com o país como forma de impor o fim da violência interna desencadeada pelo golpe militar e que culminou com a condenação à morte de vários presos políticos.

O grupo de dez membros, que inclui Mianmar, vem pressionando para que o país implemente o chamado Consenso de Cinco Pontos, acordado em abril passado, e criticou a execução na semana passada de quatro ativistas pela democracia. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN estão reunidos em Phnom Penh, capital do Cambodja, tendo impedido a presença do representante de Mianmar no evento.

“Se mais prisioneiros forem executados, seremos forçados a repensar o nosso papel em relação ao Consenso de Cinco Pontos da ASEAN”, disse o primeiro-ministro cambodjano Hun Sen, atual presidente da ASEAN.

Mais de 70 presos políticos em Mianmar foram condenados à morte, muitos deles à revelia. Cerca de 2.145 pessoas foram mortas desde que os militares tomaram o poder em fevereiro de 2021, prendendo a líder eleita Aung San Suu Kyi e o seu governo.

Hun Sen disse que, embora o Consenso de Cinco Pontos “não tenha avançado de acordo com os desejos de todos”, houve algum progresso, nomeadamente na prestação de ajuda humanitária ao país, assolado por uma enorme crise económica.

As reservas da ASEAN relativas ao líder do golpe, o general Min Aung Hlaing surgem já depois de terem sido impostas ao país sanções internacionais. A Rússia também está atenta à questão, estando previsto para breve um encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros Sergey Lavrov e Min Aung Hlaing, bem como com o seu homólogo Wunna Maung Lwin.

Mas a comunidade internacional está convencida de que Moscovo está a patrocinar o regime militar imposto pelo golpe de fevereiro, uma vez que grupos de direitos humanos no terreno disseram que o governo local está a usar material de guerra russo para atacar alvos civis. O representante especial das Nações Unidas para Mianmar, Tom Andrews, disse recentemente que a Rússia forneceu ao regime drones, aviões de combate, veículos blindados e um sistemas de defesa aérea.

Depois de visitar Mianmar, Lavrov seguirá para o Cambodja para a reunião dos ministros da ASEAN. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, também são esperados em Phnom Penh.

Da agenda do encontro consta o debate sobre o conflito Rússia-Ucrânia e os testes de mísseis da Coreia do Norte, para além de questões de segurança regional.

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