Assédio moral e pressão para trabalhar em dias de folga leva à exaustão dos técnicos de manutenção de aeronaves

Conclusão consta do “Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves”, encomendado pelo Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA), que será dado a conhecer esta quarta-feira, em Lisboa.

O assédio moral e a pressão para trabalhar em dias de folga são duas das razões que, de acordo com um estudo realizado pelo Observatório para as Condições de Vida e de Trabalho, levam os técnicos de manutenção de aeronaves a revelar sinais de cansaço e de esgotamento emocional.

As conclusões constam do “Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves”, encomendado pelo Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA), que será dado a conhecer esta quarta-feira em Lisboa.

O estudo identifica, ainda, o medo de errar no desempenho das funções por falta de colegas e de organização como outra das razões para o esgotamento e cansaço dos profissionais.

Do total de participantes no estudo, 88% trabalha na TAP, 6% na Portugália e os restantes 6% na SATA; 60% admitiram que não consegue descansar nas folgas e 58% revelaram que não têm tempo para cuidar da família ou dos próprios.

O comunicado emitido a propósito do estudo indica ainda que 67% dos inquiridos revelaram trabalhar horas extras, com alguns testemunhos qualitativos a justificarem essa situação com a “má programação da gestão e das chefias, que trabalham sistematicamente com deficiência de pessoal”.

Além disso, “64% dos técnicos de manutenção de aeronaves declaram ter dificuldade em dormir, 44% declaram-se emocionalmente exaustos algumas vezes por mês (17%), uma vez por semana (10%), algumas vezes por semana (14%) ou sempre (3%)”.

“Tal como noutros cenários de intensificação laboral em Portugal, o trabalho extra passou a ser uma norma na gestão. Este modelo de gestão tem impacto na relação entre trabalhadores e destes com as hierarquias, sendo que 62% sentem que o contacto negativo com as hierarquias os afeta”, explica o Observatório para as Condições de Vida e de Trabalho.

Segundo o mesmo estudo, os TMA revelam “níveis preocupantes de sofrimento no trabalho e esgotamento emocional no seu todo” e que “nem todos os cansados exibem sinais de burnout, mas todos os que estão em burnout têm índices de cansaço muito altos”.

O relatório identifica uma “relação elevada entre o assédio moral no trabalho e a exaustão emocional”.

Os dados que suportam o estudo foram recolhidos entre março e 2021 em território português.

Na nota enviada à imprensa é ressalvado que “em virtude da crise da TAP e do plano de restruturação em curso entre 2021 e 2022, foram repetidas algumas questões numa segunda fase do inquérito, realizado entre 5 de julho e 6 de setembro de 2022”, tendo sido realizados, a par do inquérito em questão, dois grupos focais.

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