Associação de empresários das discotecas espera medidas mas alerta que lay-off a 100% “será muito difícil”

Depois da reunião com o secretário de Estado do Comércio, foi possível “perceber realmente que o Governo está preocupado e está atento às nossas reivindicações, está preocupado com a preocupação destes sectores económicos, nomeadamente da restauração e da noite”, apontou o presidente da ADN ao Jornal Económico.

A Associação Discotecas Nacional (ADN), cujo presidente é José Gouveia, demonstra-se expectante por saber quais as medidas que o Governo vai acolher para o sector noturno. No entanto, após a conversa com o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres, a associação ficou a saber que o “lay-off a 200% com indicação retroativa” será uma medida que dificilmente o Governo adotará.

A reunião entre a ADN e o secretário de Estado do Comércio decorreu esta manhã e José Gouveia garantiu que “correu bem, tivemos uma reunião muito bilateral, muito com troca de ideias”. Com o encontro, foi possível “perceber realmente que o Governo está preocupado e está atento às nossas reivindicações, está preocupado com a preocupação destes sectores económicos, nomeadamente da restauração e da noite”.  José Gouveia também é líder do movimento sobreviver a Pão e Água e esteve em greve de fome durante sete dias.

Hoje, “fomos só falar de discotecas, espaços que estão encerrados há 10 meses sem qualquer tipo de receita, com custos, empresas que precisam ser recapitalizadas, precisam de bolhas de oxigênio”, garantiu o representante da ADN garantindo que o secretário de Estado do Comércio “foi muito correto e pragmático e aquelas [propostas] que entendeu que não tinham viabilidade teve oportunidade de dizer que não, mas as outras que achou que podiam ser colocadas à discussão avançou”.

José Gouveia contou que entre as medidas que poderão não ser acolhidas está o “lay-off a 100% com indicação retroativa”. Assegura que a medida não foi completamente rejeitada, mas João Torres apontou que “seria difícil”. “Vamos terminar isto com 15 meses sendo 10 dos quais as empresas tiveram despesas”, destacou ao Jornal Económico.

Além do lay off a 100%, outras medidas estão a ser consideradas, como “haver um programa de apoio às rendas, ter que haver um programa ou majorar o apoio à Apoiar .PT só para este sector e eventualmente criar um programa paralelo a estas empresas que estão encerradas”. Outras medidas que o executivo de António Costa tem a considerar são “a subtração das dívidas ao Estado de forma a que o apoio não seja indeferido por dívidas porque não estavam contemplados as pessoas com dívidas ao estado que não podiam aceder aos apoios sendo que esses apoios têm de ser sempre depois de março de 2020”

Agora, o movimento aguarda que o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anuncie ainda esta quarta-feira propostas que ajudem o sector e José Gouveia assegura que “para quem não tem nada tudo o que vier é lucro”.

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“Discutimos várias ideias, várias possibilidades, e ficou acordado que dentro de sete dias, oito dias, na próxima semana, teremos um novo encontro, porque em muitas medidas que foram discutidas em conjunto o próprio Fernando Medina estava de acordo com uma parte dela. A outra parte sabemos os três que, praticamente, é impossível chegar a soluções para todos, por isso, aguardamos a próxima reunião”, explicitou Ljubomir Stanisic.
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