Associação de Ucranianos em Portugal diz que emigrantes sofrem discriminação desde 2011

O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal (AUP), Pavlo Sadokha, diz que tem recorrido ao Alto Comissariado das migrações desde 2011 para relatar problemas associados aos emigrantes ucranianos.

epaselect epa09809800 A Ukrainian child holding a fresh tulip flower, looks trough a window of a transiting bus shortly after passing through the border crossing of Siret, northern Romania, 08 March 2022. On the day, all the women and girls crossing into Romania from Ukraine received fresh flowers from the country’s border police officers, fire-fighters or paramedics on the occasion of the International Women’s Day. Since Russia began its military operations in Ukraine on 24 February, some 291,081 Ukrainian refugees have entered Romania and 208,863 have left for other destinations, according to the latest report of the Border Police. EPA/ROBERT GHEMENT

No mesmo dia em que a Polícia Judiciária (PJ) fez buscas nas instalações do Apoio a Refugiados da Câmara de Setúbal, o presidente da Associação de Ucranianos em Portugal (AUP), Pavlo Sadokha, falou no Parlamento, numa ocasião onde apontou que os emigrantes ucranianos são discriminados em Portugal desde 2011.

“O primeiro alerta que fizemos ao Alto Comissariado das Migrações (ACM) sobre a existência de um problema de representação de comunidade ucraniana foi em 2011”, lembrou Sadokha.

Segundo o presidente da AUP “naquela altura existia conselho das emigrações onde cada grupo nacional dos emigrantes em Portugal estava representado pelas associações que tinham de eleger um representante por cada comunidade”.

Todas as associações faziam-se representar pelo seu nome, exceto a ucraniana que ficou classificada como “país de leste”. “Na altura argumentamos que não existia nenhum país chamado de leste, a Ucrânia tem nome e consideramos discriminativo”, sublinhou Pavlo Sadokha.

Depois de corrigido o nome e o grupo ter começado a chamar-se “ucraniano”, surgiu um problema maior, uma vez que a associação descobriu que existiam associações registadas como ucranianas, quando no fundo apoiavam propaganda russa.

Desde então a associação recorreu por diversas vezes ao Alto Comissariado devido ao mesmo problema e em fevereiro, quando começou a invasão, voltou a recorrer.

“Começamos a receber denúncias dos ucranianos e da comunidade ucraniana de que organizações que o alto comissariado reconhecia como ucranianas, embora saibamos bem que são organizações pro-Putin, estavam a receber refugiados ucranianos”.

“Percebemos logo o perigo para estes ucranianos”, garantiu Sadokha, acrescentando que voltaram a remeter as mesmas questões para o Alto Comissariado que, por sua vez, disse que iria averiguar o que poderiam fazer.

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