Associação diz que 150 emigrantes da Venezuela não estão abrangidos nas “soluções para os lesados”

Para o caso destes 150 ex-clientes do Banco Espirito Santo e das Suas sucursais financeiras no exterior, a solução encontrada para os outros lesados do BES e agora para os lesados do Banif, não os inclui, diz a ABESD – Associação de Defesa de Clientes Bancários.

Hugo Correia/Reuters

Os lesados das sucursais exteriores do BES onde se inclui a Venezuela, continuam de fora do mecanismo “célere e ágil” anunciado hoje pelo governo, pois não estão incluídos nas “solução dos lesados” do Banif, diz a Associação de Defesa de Clientes Bancários (ABESD).

“O governo anuncia a “criação de um mecanismo célere e ágil” para os clientes lesados no Banif, mas infelizmente os cerca de 150 emigrantes da Venezuela e clientes das sucursais financeiras exteriores do BES, não estão abrangidos em nenhuma das soluções dos lesados do BES ou Banif”.

Apesar dos esforços da direção da ABESD – Associação de Defesa de Clientes Bancários, “não foi ainda possível constituir com o governo o grupo de trabalho ou a assinatura de qualquer memorando de entendimento, afim de poder este ultimo grupo de ‘lesados do BES’, encontrar um mecanismo de solução para a sua situação”, refere a associação em comunicado.

A ABESD reclama uma solução para todos os lesados bancários e que “todos os lesados que foram vítimas de venda fraudulenta de produtos bancários, tenham a possibilidade de participar nesse mesmo mecanismo de resolução”.

Dizem que “essa mesma venda desajustada do perfil dos clientes foi já admitida pela CMVM em documentação que já foi partilhada com todas as entidades envolvidas neste processo – Governo, Banco Portugal, Deputados, etc; contudo o Governo ainda não inclui este grupo de lesados bancários em qualquer solução”.

“Apesar da disponibilidade do Governo para encontrar uma solução para os emigrantes e clientes das sucursais financeiras do BES, estamos há quase um ano a aguardar a criação de um grupo de trabalho para analisar a nossa situação”, queixam-se os lesados daquelas geografias.

“Ficamos mais uma vez de fora deste “mecanismo célere e ágil”, mas estamos obviamente satisfeitos que mais este grupo de lesados bancários esteja a iniciar a resolução do seu problema”, acrescentam.

Mas, “temos de recordar que falta resolver o tema das sucursais financeiras exteriores do BES, que abrangem muitos clientes e sobretudo as comunidades de emigrantes da Venezuela que atravessam um tempo muito difícil, como é público” – disse Afonso Mendes,  Presidente da Direção da ABESD.

Associação de Defesa de Clientes Bancários, é uma associação sem fins lucrativos que foi constituída em julho de 2014 após o colapso do grupo BES/GES. Os associados são clientes não qualificados (incluindo emigrantes) das sucursais externas financeiras do grupo BES – Venezuela, Africa Sul, Suiça, etc; que perderam as suas poupanças em produtos financeiros do BES/GES.

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