Associação Zero. Meta definida pelo Conselho Europeu é “conquista importante” mas “fica aquém das necessidades”

Para a Zero, a Cimeira da Ambição do Clima que se irá realizar amanhã “apresenta uma oportunidade para mais de 70 chefes de Estado e de Governo apresentarem novos compromissos ambiciosos, em linha com o ciclo de ambição no âmbito do Acordo de Paris”.

A associação ambientalista Zero classifica que a redução líquida das emissões de CO2 em 55% até 2030 como “uma conquista importante para a liderança da União Europeia no domínio do clima”, aponta em comunicado. “As negociações em curso sobre a lei climática da UE e o próximo pacote de legislação ‘Fit for 55’, previsto para junho de 2021, oferecem a oportunidade de reinstalar mais ambição e também concretizar o ‘pelo menos’ através da votação por maioria qualificada”, acrescenta a Zero.

Este acordo, anunciado pelo presidente do Conselho Europeu Charles Michel, “fornece à UE credibilidade reforçada e um papel de liderança global renovado como  uma das primeiras grandes economias a prometer uma meta de redução de emissões mais elevada”.

No entanto, a associação liderada por Francisco Ferreira adianta que “esta liderança da Europa fica mesmo assim aquém do necessário para a União Europeia estar em linha com o Acordo de Paris”, explicando que se trata “de uma meta líquida, isto é, contemplando as florestas como sumidouros, correspondendo assim a um redução efetiva menor, entre 50% e 53%, quando a trajetória para a neutralidade climática em 2050 requer uma redução de 65% entre 1990 e 2030”.

Para a Zero, a Cimeira da Ambição do Clima que se irá realizar amanhã “apresenta uma oportunidade para mais de 70 chefes de Estado e de Governo apresentarem novos compromissos ambiciosos, em linha com o ciclo de ambição no âmbito do Acordo de Paris”. “O evento fornece uma plataforma para políticos, negócios, investidores e líderes para mostrar mudanças significativas que implementam de acordo com os três pilares do Acordo de Paris: mitigação, adaptação e financiamento climático”, realça.

Ainda assim, a Zero sustentou que a UE “acordou um novo objetivo que homenageia uma liderança política ousada e mostra como o Acordo de Paris se tornou uma catalisador para a ação climática na economia real”. “Um ano antes da COP26, a UE marca o momento em que as expectativas internacionais se concentram em ações decisivas de mitigação, adaptação e financiamento climático durante a próxima década. embora as metas mais altas para 2030 tenham sido anunciadas pela UE e pelo Reino Unido e figurem com destaque nos planos do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o financiamento do clima e a resiliência ainda são amplamente negligenciados”.

Esta nova meta dá ainda credibilidade internacional à União Europeia para dar início à nova era da diplomacia do Pacto Ecológico Europeu, “caracterizando todos os aspetos da transição para a neutralidade climática”. Para a associação ambientalista, “a UE pode contribuir para moldar a emergente economia global limpa através da cocriação de plataformas internacionais para o comércio, a inovação e a cooperação no domínio da ação climática”, sendo que as tecnologias e políticas necessárias para as metas propostas podem dar à UE “uma vantagem competitiva numa corrida global ao topo na promoção da descarbonização e alinhamento dos fluxos financeiros”.

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