Atividade na zona euro continua a cair, mas inflação pode estar perto do pico

Começam a surgir sinais de um abrandamento das pressões inflacionistas, sobretudo as decorrentes da crise logística global, isto numa altura em que a procura também começa a dar sinais de contração. Ainda assim, último trimestre é de recessão na zona euro.

As estimativas rápidas para os índices de gestores de compras (PMI) de novembro continuam a apontar para uma economia europeia em recessão, mantendo-se em território de contração, embora se comece a perspetivar o pico do fenómeno da inflação. Foi o quinto mês seguido destes indicadores em terreno negativo (abaixo de 50), mas há sinais de melhoria nas complicações globais das cadeias de valor, dando algum otimismo aos mercados.

As leituras dos PMI da zona euro e das suas principais economias em novembro permaneceram abaixo de 50, ou seja, consistentes com uma redução da atividade económica, cenário que se verificou pelo quinto mês seguido. Ainda assim, o indicador composto para a moeda única subiu ligeiramente, passando de 47,3 em outubro para 47,8 este mês, uma melhoria causada exclusivamente pelo sector secundário.

O subindicador referente aos serviços manteve-se inalterado em 48,6, ao passo que o da indústria melhorou de 43,8 para 45,7, refletindo o alívio de algumas restrições causadas pela crise logística global. Ainda assim, sublinha o banco ING, estes valores confirmam o cenário de recessão que a leitura anterior já sugeria; em linha com tal, o número de novas encomendas voltou a recuar, o que sugere que “a atual produção vem de um acumular passado” de pedidos que só agora estão a ser correspondidos.

Isso reflete-se também numa redução das pressões inflacionistas, à medida que a procura começa a recuar com a perspetiva de uma recessão. Assim, a inflação pode começar a dar sinais de abrandamento, apesar de a análise da Pantheon Macro considerar que continua a haver necessidade de aumentos dos juros.

O think-tank argumenta que as empresas continuam a repassar o aumento de custos intermédios para os consumidores, “embora a um ritmo mais baixo do que em outubro”. Na Alemanha, por exemplo, os preços continuam a subir apesar de “os preços dos consumos intermédios terem aumentado ao ritmo mais baixo desde abril do ano passado”.

Caso o Banco Central Europeu continue com o processo de normalização monetária, que, afirmam os seus responsáveis, está longe de ter terminado, a Pantheon considera que a inflação subjacente deve começar a descer em breve, “dando confiança ao BCE para sinalizar subidas mais pequenas”.

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