Auditoria da Deloitte não encontrou “racional” em write-off do Novobanco

No caso de três devedores do Novobanco, foram realizados em 2020 abates parciais de dívida no montante total de cerca de 155 milhões de euros. Deste total, diz a Deloitte, em “77 milhões de euros não foram obtidos os suportes para o valor do abate parcial realizado e 78 milhões de euros o suporte disponibilizado não era suficiente para evidenciar o racional subjacente ao calculo do valor do abate parcial realizado”.

A Deloitte diz não ter encontrado “racional” para alguns write-off (abates contabilísticos) que o Novobanco realizou em 2020 junto dos seus devedores, no total de 155 milhões de euros. A conclusão consta da versão não confidencial da terceira auditoria ao banco, a que o Jornal Económico teve acesso.

“No exercício de 2020 o banco procedeu a abates contabilísticos para 14 devedores da amostra, que originaram uma redução da exposição bruta de cerca de 346 milhões de euros”, começa por referir a auditoria que está no Parlamento desde abril, mas que se tem mantido confidencial.

Para esse efeito, refere, “o banco utilizou as imparidades que se encontravam constituídas na data do abate para os créditos relativos a esses devedores, não tendo gerado nesse momento impacto em resultados. De destacar que, para os devedores da amostra com créditos abatidos ao ativo, foram registadas em 2020 perdas por imparidade no montante de 57 milhões de euros”.

No mesmo documento é referido que, ao longo de 2020, foram realizados abates parciais no montante de 196 milhões de euros de exposição bruta para cinco devedores. “Para três devedores (Devedores 5, 49 e 51) foram realizados em 2020 abates parciais de dívida no montante total de cerca de 155 milhões de euros, dos quais 77 milhões de euros não foram obtidos os suportes para o valor do abate parcial realizado e 78 milhões de euros o suporte disponibilizado não era suficiente para evidenciar o racional subjacente ao calculo do valor do abate parcial realizado”.

Para os restantes devedores, designados por 21 e 54, “foram realizados em 2020 abates parciais de dívida no montante de cerca de 41 milhões de euros sendo estes justificados pelo facto de corresponderem a parte da exposição não coberta por garantias reais (tendo por base o valor de avaliação das garantias reais sem considerar ajustamentos sobre a avaliação que são efetuadas para efeitos do cálculo do valor recuperável dos créditos destes devedores)”.

Apesar dos write-off, a Deloitte nota que o banco manteve os esforços de recuperação destes créditos. “Para os devedores da nossa amostra onde se registaram abates, o banco disponibilizou-nos evidências de manutenção de esforços de recuperação pelo DRCE”, o departamento de recuperação de crédito – empresas.

Relacionadas

Venda de Espanha aumentaria de forma “artificial” necessidades de capital do Novobanco

O Fundo de Resolução considerou que “não existia base legal, contratual ou regulatória que relacionasse o desinvestimento na operação em Espanha” do Novobanco com o mecanismo de capital contingente. Além disso, esta operação ia aumentar de forma “artificial” as necessidades de capital do banco em 2020, de acordo com a terceira auditoria da Deloitte.

Novobanco: Deloitte encontra falhas na avaliação das garantias imobiliárias e na busca de património

A conclusão consta da versão não confidencial da terceira auditoria da Deloitte, a que o Jornal Económico teve acesso.
Recomendadas

Autoridade da Concorrência de Itália aplica multa de 5 milhões à Generali e UnipolSai

A AGCM acusou as duas empresas de “conduta enganosa e agressiva” por “atenderem tardiamente, no que se refere aos prazos estabelecidos pela regulamentação do setor, a inúmeras instâncias” apresentadas por clientes.

CaixaBank recomprou quase 18 milhões de ações na semana passada (com áudio)

O CaixaBank anunciou hoje a compra de 17.947.222 ações próprias, por 53.063.926 milhões de euros entre 1 e 5 de agosto.

Mutualista Montepio com lucros de 12,9 milhões de euros no primeiro semestre

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) registou um lucro de 12,9 milhões de euros no primeiro semestre, superando os 11,9 obtidos em igual período do ano passado.
Comentários