Aumento de vagas no Superior gera “satisfação”, mas é preciso “olhar para os docentes”, alerta sindicato

A presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) congratulou-se este domingo com o aumento do número de vagas no Ensino Superior, mas disse ser preciso “olhar para a situação dos docentes”, cujo nível de precariedade é elevado.

A presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) congratulou-se este domingo com o aumento do número de vagas no Ensino Superior, mas disse ser preciso “olhar para a situação dos docentes”, cujo nível de precariedade é elevado.

Mariana Gaio Alves referiu à agência Lusa que o SNESup encara com “muita satisfação o aumento do número de vagas, que certamente vai permitir que mais jovens ingressem no Ensino Superior”, mas que “esta nota de satisfação é acompanhada por uma nota de preocupação” relativamente à situação de precariedade de cerca de 42% dos docentes e das condições das instituições de ensino para acolher os novos estudantes.

“Este aumento de vagas precisa também da garantia das instituições de Ensino de que há condições para acolher os novos estudantes”, disse a presidente do SNESup, alertando que é também preciso “olhar para o número de professores e para a sua estabilidade contratual”, por forma a assegurar “as melhores condições de funcionamento dos cursos com um número cada vez maior de estudantes”, de áreas diversificadas e que “exigem estratégias pedagógicas diferenciadas”.

Mariana Gaio Alves lembrou ainda que o aumento do número de vagas foi o mais elevado desde 2011, mas situou-se naquilo que era “expectável”, reiterando que “não se pode aumentar o número de vagas sem olhar para a situação dos docentes”.

O SNESup representa todos os professores do Ensino Superior público e privado, bem como do Politécnico.

As vagas no concurso nacional de acesso ao ensino superior para o próximo ano letivo voltaram a aumentar, com destaque para os cursos de Educação Básica e 22 novas licenciaturas em ciências e tecnologias.

Segundo os dados divulgados este domingo pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), o concurso nacional para ingressar nas universidades e politécnicos públicos em 2022 vai abrir com um total de 53.640 vagas.

Depois de, nos anos anteriores, o reforço de lugares disponíveis para estudar no ensino superior ter sido correspondido com novos máximos de alunos colocados, o número de vagas aumenta agora cerca de 2,6% em relação a 2021.

A contribuir para esse aumento estão os cursos de Educação Básica, que no próximo ano vão poder receber mais “caloiros” para um total de 855 vagas, mais 56 comparativamente ao ano anterior e um aumento de 7%.

Além dos cursos de Educação Básica, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior destaca também a criação de 22 cursos novos nas chamadas áreas “STEAM” (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

No total, essas licenciaturas representam 642 vagas, a maioria das quais em Lisboa e Porto, havendo ainda outros 35 novos cursos para a formação noutras áreas, como Turismo, Gestão ou Saúde, que totalizam mais 1.045 vagas.

À semelhança dos anos anteriores, há também um reforço nos cursos ligados às competências digitais, que vão contar com um aumento de 3,6% para o próximo ano letivo, e nos cursos mais procurados por alunos de excelência.

Em Medicina, área na qual as faculdades não têm aproveitado a possibilidade conferida por despacho para abrirem portas a mais alunos, a Universidade da Beira Interior tem mais cinco vagas.

Olhando para o país, as regiões de menor pressão demográfica registam um aumento percentual superior à média (3,8%), mas em termos absolutos Porto e Lisboa voltam a surgir no topo.

As instituições da Invicta vão abrir 7.773 vagas, mais 377 do que no ano anterior e a maioria na Universidade do Porto.

Em Lisboa, que concentra o maior número de vagas do concurso nacional de acesso (13.996), o aumento global é de 339 vagas, mas com discrepâncias entre as instituições: enquanto as estreias na sua nova escola em Sintra contribuem para o reforço de 15,9% de vagas no ISCTE-IUL, a Universidade Nova de Lisboa tem um ligeiro decréscimo do número de lugares disponíveis.

Em sentido contrário com a tendência nacional, o Instituto Politécnico de Beja vai disponibilizar menos 3% das vagas comparativamente ao ano passado, enquanto os institutos politécnicos de Lisboa, Setúbal e Leiria mantêm o mesmo número, à semelhança das escolas superiores de Enfermagem e Hotelaria e Turismo.

Além das 53.640 vagas do concurso nacional, há ainda 721 vagas para os concursos locais, realizados diretamente nas instituições de ensino superior para ingresso em cursos de música, teatro, cinema e dança, contabilizando-se no total 54.361.

O prazo de candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público decorre entre 25 de julho e 08 de agosto, através do ‘site’ da Direção-Geral do Ensino Superior (http://www.dges.gov.pt).

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