Aumento dos juros leva a maior risco de incumprimento das famílias portuguesas, diz XTB

No dia em que é esperada a aprovação em Conselho de Ministros das medidas do Governo de apoio às famílias com crédito à habitação, em contexto de escalada dos juros, o analista da XTB Henrique Tomé, alerta que o “aumento dos juros leva a maior risco de incumprimento das famílias portuguesas”.

No dia em que é esperada a aprovação em Conselho de Ministros das medidas do Governo de apoio às famílias com crédito à habitação, em contexto de escalada dos juros, o analista da XTB Henrique Tomé, alerta que o “aumento dos juros leva a maior risco de incumprimento das famílias portuguesas”.

Na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) anunciou a sua decisão de política monetária, onde voltou a subir as taxas de juro em 75 pontos base, colocando as taxas de referência nos 2%, níveis que já não eram vistos desde 2009. Mas a subida não vai ficar por aqui. Na conferência de imprensa após a decisão, Lagarde voltou a referir que “o BCE está empenhado em travar a subida dos preços e para que isso aconteça o banco terá de continuar a subir os juros, acabando por retirar poder de compra dos agentes económicos”, lembra a XTB.

“O aumento das taxas de juro de referência acabam por influenciar as restantes taxas, acabando por retirar poder de compra às empresas e também às famílias. As taxas de juro Euribor que servem para referência para o crédito à habitação”, realça o analista.

Em Portugal, como mais de 90% dos empréstimos contraídos são através da taxa variável, “as famílias estão a ser fortemente penalizadas pelos aumentos dos juros. As taxas Euribor que durante vários anos estiveram a ser cotadas em níveis negativos, devido ao facto da taxa de referência estar em valores perto de zero, estão agora a inverter esse sentido. Se recuarmos no tempo, e se compararmos os níveis da Euribor a 12 meses há dois anos, no dia 2 de Novembro de 2020, a taxa estava nos -0,49%, enquanto que neste momento está nos 2,69%”, contextualiza Henrique Tomé.

Como resultado, as famílias que têm créditos a uma taxa variável estão a ver as suas prestações a aumentar de forma substancial, “sendo que mais tarde o risco de incumprimento poderá aumentar se os juros continuarem a subir ao ritmo atual”, alerta a XTB.

A corretora diz que neste enquadramento, “o papel do Estado é um fator-chave que poderá ajudar a mitigar parte deste efeito para as classes sociais com rendimentos inferiores”.

“Até agora, o governo tem adotado medidas generalistas que na verdade têm estado a ir contra a estratégia do BCE e que apenas perpetuam a inflação, em vez de travar”, considera a XTB.

“Com isto quero dizer que, é importante ter noção que todos vamos ser prejudicados com as medidas que têm de ser adotadas para arrefecer a economia para que a inflação comece a dar sinais claros de abrandamento. Os apoios do governo são importantes, mas devem ser destinados sobretudo para as classes sociais com menos rendimentos”, defende o analista.

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