Aumentos salariais de 3,2% no próximo ano em Portugal, diz estudo da consultora WTW

Segundo “Salary Budget Planning”, realizado pela empresa de consultoria, corretagem e soluções WTW, o mercado de trabalho cada vez mais desafiante, tanto na atração como na retenção, e os receios da inflação justificam a decisão das empresas.

“Os empregadores portugueses estão a planear aumentar em média 3,2% os seus orçamentos para aumentos salariais em 2023, à medida que se debatem com um mercado de trabalho desafiante e com as expectativas dos colaboradores em torno da inflação”, afirma a WTW, empresa de consultoria, corretagem e soluções.

A estimativa consta do Salary Budget Planning, estudo global do departamento de Reward Data Intelligence da WTW, realizado com base num inquérito, entre abril e maio de 2022, no qual participaram 2.570 empresas de 168 países, das quais 305 em Portugal.

Segundo o relatório, o aumento salarial está acima dos 2,4% de inflação previstos para 2023 e é superior ao aumento médio de 3% dos orçamentos salariais apresentados em 2022.

O estudo refere que as empresas portuguesas estão sob pressão para fazer mais em termos salariais. Mais de um terço (36%) das organizações constatou que o seu orçamento salarial é, atualmente, mais elevado do que o previsto, enquanto a mesma percentagem admitiu que “tem de ou que irá aumentar a frequência” com que revê os salários. Entre estes, 98% afirmam que o irão fazer duas vezes por ano.

Existem três razões fundamentais para o aumento dos orçamentos: 57% dos empregadores citaram preocupações sobre um mercado de trabalho mais restrito, 56% referiram receios sobre a inflação e 43% disseram que os seus colaboradores tinham expectativas e preocupações a que precisavam de responder.

“O clima económico desafiante e o avanço de novas formas de trabalho estão a forçar as organizações a manterem-se atentas aos orçamentos salariais. As que não o fizerem, não vão ser competitivas, perderão os seus colaboradores e terão de lutar mais para os substituir. Num ambiente tão dinâmico, é imperativo que as empresas tenham uma estratégia clara de recompensas e entendam o que o mercado de trabalho e as suas pessoas esperam”, explica Sandra Bento, associate director – Rewards Data Intelligence, WTW Portugal.

Na vertente do talento, a proporção de empresas portuguesas que relataram dificuldades em atrair aumentou de 28% em 2020 para 90% este ano, enquanto as que têm problemas para reter os seus colaboradores subiram de 20% para 84%, no mesmo período.

Entre as inquiridas, 82% afirmaram ter problemas em preencher funções de TI e 79% sentiram dificuldades em manter os colaboradores desta área. Para funções de engenharia, 55% manifestaram dificuldades no recrutamento e 46% tiveram problemas de retenção.

Numa tentativa de melhorar a sua atratividade, 65% dos empregadores disseram ter aumentado a flexibilidade do local de trabalho, 60% afirmaram ter dado mais ênfase à diversidade e inclusão e 40% oferecem agora incentivos financeiros como bónus de entrada.

Nos trunfos usados para a retenção, destaque para o aumento do foco na diversidade e inclusão (56%), aumento das opções de trabalho à distância (45%) e alteração das estruturas salariais, através do salário base e os bónus (38%).

“O mercado de trabalho exigente, especialmente em torno de certas competências-chave, significa que as organizações precisam de ser muito mais criativas para enfrentar os desafios da atração e retenção. Não se trata apenas de remuneração. Os empregadores precisam de entender a dinâmica da diversidade da sua força de trabalho e proporcionar uma experiência de colaborador superior a todos”, justifica Sandra Bento.

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