Autarca denuncia nova descarga poluentes em ribeiro de Viana de Castelo

O ribeiro de Radivau desagua no rio Neiva, entre Castelo do Neiva, Viana do Castelo e Antas, no concelho de Esposende, distrito de Braga. No verão é muito frequentado para a prática balnear.

GNR VIANA DO CASTELO/ARQUIVO

O presidente da Junta de Freguesia de São Romão do Neiva, Viana do Castelo, denunciou hoje nova descarga de “óleo e gasóleo” no ribeiro de Radivau, junto à segunda fase da zona industrial do Neiva.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Salgueiro, manifestou-se “revoltado” com a ausência de medidas para acabar com “o desastre ecológico” que se arrasta desde janeiro.

“As descargas poluentes nunca pararam. Desde então que acontecem, umas vezes com menor, outras com maior intensidade, mas não deixaram de ocorrer. Isto é um desastre ecológico para a fauna e flora do rio Neiva, onde o ribeiro de Radivau desagua, bem como para a saúde pública”, disse o autarca socialista.

A descarga poluente de hoje “começou cerca das 11:00 e é muito forte”,

“Inicialmente corria pelo ribeiro uma pasta branca, que depois passou a ser de acinzentada, com vestígios de óleo e gasóleo”, indicou.

O autarca disse ter reportado o caso à GNR, à empresa Águas do Norte e à Câmara de Viana do Castelo, acrescentando que “as descargas começam na segunda fase da zona industrial onde estão localizadas várias empresas”, escusando-se a revelar o nome das unidades fabris.

Contactada pela Lusa, fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo disse que a patrulha que se deslocou ao local confirmou que o ribeiro “apresenta odor e tonalidade colorida de rejeição de resíduos sem qualquer tratamento”.

A fonte adiantou que a “situação é recorrente” por não ter ainda sido identificada a origem das descargas.

“Há dificuldade em identificar o operador industrial que faz a rejeição dos resíduos diretamente para o ribeiro. Foi utilizado um robot, através das condutas, para chegar ao local da rejeição. Desde a zona industrial até ao ribeiro ainda é uma extensão significativa”, adiantou.

Aquela fonte acrescentou que “a GNR vai continuar a tentar chegar ao operador que fez a rejeição dos resíduos e perceber se o podia fazer ou não”.

O presidente da Junta de Freguesia de São Romão do Neiva lamentou que as investigações que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) realizou depois dos primeiros casos registados, em janeiro, terem sido inconclusivas”.

“Até hoje não sabemos as conclusões dessas investigações. O problema arrasta-se, sem resultados”, sublinhou.

A Lusa contactou a APA que ainda não tomou posição sobre o assunto.

Em abril, em resposta escrita a um pedido de esclarecimento enviado pela Lusa, a APA disse estar a investigar a origem das “rejeições de águas residuais” naquele ribeiro através de diligências da Administração de Região Hidrográfica (ARH) do Norte, em articulação com o Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) da GNR de Viana Do Castelo.

“Das diligências já realizadas pelo NPA da GNR, verifica-se que as descargas ocorrem através de condutas de águas pluviais e numa linha de água que se encontra entubada ao longo da referida zona industrial, o que dificulta as ações em curso para identificação da sua origem”, sustentou, na altura, a agência tutelada pelo Ministério do Ambiente.

A APA “prevê a realização de novas ações, em articulação com o NPA da GNR e outras entidades locais, com recurso a meios especializados que permitam a realização das diligências de forma mais eficiente”.

A Lusa contactou ainda a Águas do Norte, que ainda não se pronunciou sobre o caso.

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