Bain diz que bancos pioneiros na redução de carbono terão mais 20% a 30% de lucros

A consultora que está presente no mercado português diz que identificou uma “estratégia pioneira” capaz de proporcionar crescimento do lucro entre os 25 e os 30% para os bancos que aceleram a transição de emissões de carbono zero até 2050.

A Bain & Company fez um estudo aos 15 maiores bancos por ativos na Europa, Ásia-Pacífico e América do Norte. Mediu, tanto a divulgação das emissões financiadas por um banco, como a percentagem do valor da carteira que cobriu neste estudo. Além disso, mediu se o banco divulga as suas metas para 2030, bem como quantos setores está a usar para avaliar se declaram emissões absolutas.

Em comunicado a consultora que está presente no mercado português diz que identificou uma “estratégia pioneira” capaz de proporcionar crescimento do lucro entre os 25 e os 30% para os bancos que aceleram a transição de emissões de carbono zero até 2050.

Na sequência dessa análise a Bain & Company recomendou aos bancos uma “transição rápida e forte das carteiras de empréstimos dos bancos para ativos verdes com potencial para gerar valor”.

A consultora defende que os “bancos devem investir imediatamente no rastreio das emissões financiadas para que possam tomar decisões estratégicas adequadas”.

Por fim disse que os “bancos devem desenvolver planos estratégicos de longo-prazo que lhes permitam uma adaptação rápida e decisiva à medida que a transição do carbono se vai desenrolando”.

Os peritos da Bain & Company preveem que os bancos que enfrentam estes desafios de apostar já na redução de carbono – aos quais a Bain chama de “bancos pioneiros” –, irão ver os lucros crescer entre os 25 e 30%. “Em nítido contraste, os bancos que atrasem ou adotem uma abordagem passiva simples e vinculada aos requisitos regulamentares verão os lucros serem reduzidos entre os 10% e os 20%”.

“Os bancos pioneiros asseguram-se de que investem no rastreio das emissões de alto calibre para ajudar os seus clientes na transição e tomar decisões estratégicas mais inteligentes, orientando ativamente as suas carteiras com base, tanto em indicadores financeiros, como na pegada de carbono”, revela a Bain & Company.

A consultora explica que ao agirem rapidamente, os bancos pioneiros transferem uma percentagem muito maior para os ativos verdes – até 85% em 2050. Por sua vez, o custo de financiamento e de risco são muito inferiores aos dos concorrentes mais lentos, que são cada vez mais penalizados pelos mercados e investidores por uma maior exposição às indústrias e projetos tradicionais.

A consultora norte-americana utilizou dados da PCAF (Partnership for Carbon Accounting Financials), PACTA (Paris Agreement Capital Transition Assessment), S&P Global Market Intelligence e os relatórios anuais dos bancos para determinar a sua posição em termos de divulgação de informação e estabelecimento de metas.

Segundo o estudo, os bancos mundiais estão a acelerar a transição para o carbono zero mas enfrentam três grandes desafios estratégicos para atingir o nível zero de emissões líquidas até 2050, podendo posicionar-se como pioneiros, seguidores ou “passivos” nesse movimento estratégico.

O estudo da Bain & Company revela que os bancos “têm a oportunidade de construir uma base de referência de emissões mais precisa nos seus empréstimos e nas carteiras de ativos, uma vez que existe o risco de sobre ou subestimar as emissões financiadas até ao dobro, quando se utilizam dados de empréstimos que não são suficientemente granulares”.

“Esta tarefa crítica, mas complexa, de medir as emissões financiadas, torna difícil compreender onde e quando surgirá valor na transição do carbono e qual a melhor estratégia para um banco a capitalizar”, reconhece a consultora.

“Os bancos têm um papel fundamental no que diz respeito à delimitação do aquecimento global de 1,5 graus Celsius, e as iniciativas de toda a indústria, tais como a da Aliança Financeira de Glasgow para o Net Zero, são críticas”, refere, no comunicado, Camille Goossens, responsável mundial da Bain & Company para a Sustentabilidade e Responsabilidade dos Serviços Financeiros.

“Vemos um impulso positivo em ambos os compromissos até 2050 e 2030, bem como nas divulgações cada vez mais transparentes e ricas em dados”, adiantou ainda a gestora. No entanto, este tópico exige que os bancos invistam em dados granulares e que adotem, cada vez mais, um pensamento estratégico ajustável a longo-prazo, defende.

Já Clara Albuquerque, partner em Lisboa, diz na mesma nota que  “com as novas soluções tecnológicas e parceiros no ecossistema como a Ecovadis ou a Persefoni, ambos no universo da Bain, existem soluções que permitem aos bancos ter acesso a esta informação rapidamente e com custos cada vez menores, diminuindo as barreiras para alcançar resultados”.

Por sua vez, João Soares, partner da Bain, reforçou que “não é só nos EUA ou nos grandes países da Europa que esta batalha se trava: mesmo em Portugal, os bancos já possuem os dados e elementos para poder actuar eficazmente na transição para o carbono zero – o que vemos é que muitos bancos do Sul da Europa ainda estão no processo de aprender como o fazer”.

A consultora Bain diz que “cada banco tem também de decidir a postura que pretende adotar a fim de desbloquear o valor, pensando se querem, ou não, tornar-se pioneiros”.

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