Baixo crescimento e baixa inflação são principais vulnerabilidades, diz BdP

O baixo crescimento económico e a baixa inflação são as principais vulnerabilidades da economia portuguesa identificadas pelo Banco de Portugal (BdP), que aponta ainda para o elevado endividamento dos vários setores de atividade e para a fraca rendibilidade da banca. Já a promoção de investimento em setores de maior produtividade é considerado pelo supervisor bancário […]

O baixo crescimento económico e a baixa inflação são as principais vulnerabilidades da economia portuguesa identificadas pelo Banco de Portugal (BdP), que aponta ainda para o elevado endividamento dos vários setores de atividade e para a fraca rendibilidade da banca.

Já a promoção de investimento em setores de maior produtividade é considerado pelo supervisor bancário como o principal desafio da economia portuguesa, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira de novembro, que foi hoje divulgado pelo supervisor bancário.

A manutenção do processo de desalavancagem das empresas também é apontado como um desafio, tendo por base a necessidade de reforço dos seus capitais.

“Apesar dos significativos progressos alcançados durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), designadamente a nível da consolidação orçamental, da desalavancagem do setor privado não financeiro, e da supervisão do sistema financeiro e da solvabilidade das institiuições de crédito, a economia portuguesa continua a apresentar vulnerabilidades que requerem a prossecução e, em algumas áreas, o aprofundamento do processo de ajustamento”, assinalou o BdP.

O supervisor frisou que o ajustamento verificado durante o PAEF foi “heterogéneo”, salientando o ajustamento “assinalável” ao nível das famílias.

“Apesar da contração no rendimento disponível, a taxa de poupança aumentou significativamente e o endividamento diminuiu”, realçou.

Já “as sociedades não financeiras têm vindo a reduzir os níveis de endividamento de forma mais lenta, existindo ainda um conjunto significativo de empresas demasiado alavancadas”, sublinhou o BdP.

E salientou: “Neste contexto, é essencial definir uma estratégia coerente e abrangente que promova a capitalização destas empresas, fator essencial para compatibilizar investimento, crescimento económico e redução dos níveis de endividamento”.

No que toca ao setor público, apesar da consolidação orçamental “sem precedente” registada nos últimos anos, o BdP alertou que “os níveis de dívida não permitem aliviar o esforço de ajustamento”.

Quanto à situação patrimonial do setor bancário, o BdP realçou a redução de ativo determinada pela diminuição da carteira de crédito, e a redução considerável do recurso ao Eurosistema, apesar da redução ligeira dos depósitos de clientes.

Também apontou para o aumento da margem financeira e dos resultados em operações financeiras, que “deu um contributo positivo para a variação da rendibilidade média dos bancos portugueses”.

Segundo a entidade liderada por Carlos Costa, “os níveis de solvabilidade permaneceram globalmente confortáveis na maioria dos bancos portugueses”, pelo que a rendibilidade é considerada como o principal desafio para o setor.

Os fatores estruturais que vão condicionar esta componente passam pela evolução da atividade económica em Portugal, pelo nível das taxas de juro do mercado monetário, pela eficiência operacional face ao risco operacional, pelo desempenho das operações internacionais e pela concorrência acrescida no contexto da União Bancária.

OJE/Lusa

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