PremiumBalcãs: Exército Kosovar agita “barril de pólvora” da Europa

A criação de um exército kosovar pode despertar uma guerra adormecida, com os americanos do lado kosovar e a Rússia a apoiar a Sérvia. A NATO está dividida.

O anúncio da transformação das forças de segurança do Kosovo num exército nacional veio reabrir velhas feridas nos Balcãs. A intenção das autoridades kosovares promete pôr em causa o equilíbrio geopolítico no secular “barril de pólvora” da Europa. A Sérvia, que nunca reconheceu a independência do Kosovo – proclamada em 2008, dez anos depois da guerra com a NATO, que obrigou as forças sérvias a retirar da então província de maioria albanesa – acusa os kosovares de estarem a avançar com uma medida “unilateral e provocatória”, que viola as resoluções da ONU. O governo de Belgrado alega que a criação de um exército kosovar ameaça a  segurança da minoria sérvia local e, com o apoio da Rússia, admite mesmo uma intervenção militar caso não haja um recuo. Com a tensão a adensar-se, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) está dividida e agarra-se à esperança de que a vontade de aderir à União Europeia (UE) refreie a Sérvia de dar início a um novo conflito sangrento nos Balcãs.

A criação de um exército no Kosovo foi aprovada por unanimidade pelos 107 deputados presentes no parlamento kosovar aquando da votação da iniciativa. Para este projeto, o governo do Kosovo vai encaminhar  um orçamento de 65 milhões de euros por ano, prevendo-se que o exército seja composto por um total de oito mil efetivos:. Destes, cinco mil serão soldados no serviço ativo e três mil reservistas, integrados em forças terrestres, guarda nacional e o comando logístico e de treino. Desde a separação do Kosovo da Sérvia, em 2008, que o país passou a ter apenas uma força de segurança – a Forca e Sigurisë së Kosovës (KSF) –, encarregue de tarefas apenas de proteção civil, como defesa territorial, trabalhos de busca e salvamento e combate a incêndios. Com a passagem desta força de segurança a exército, os kosovares argumentam que o país vai poder proteger a sua integridade territorial e os seus cidadãos de possíveis ataques internos ou externos.

 

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

Recomendadas

Louisville: uma iniciativa solidária de Pedro Sousa Pereira e Mário Cruz

O jornalista Pedro Sousa Pereira acaba de editar o álbum “Louisville”, com o fotojornalista Mário Cruz e vários músicos portugueses, que é “um manifesto” sobre a arte na prevenção do crime, a partir da realidade social norte-americana”. A iniciativa é um projeto solidário.

Évora é a cidade portuguesa que venceu a corrida ao título de Capital Europeia da Cultura 2027

O anúncio foi feito quarta-feira, dia 7 de dezembro, pelas 16h30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Évora é a cidade que vai vestir o título de Capital Europeia da Cultura em 2027.

Filme “Alma Viva”, de Cristèle Alves Meira, considerado elegível para os Óscares

O filme “Alma Viva”, da realizadora luso-francesa Cristèle Alves Meira, foi considerado elegível para uma nomeação aos Óscares de 2023, revelou a Academia de Cinema dos Estados Unidos.
Comentários