Banca europeia vai sofrer quebra nos lucros e terá de rever dividendos se Rússia cortar o gás

A DBRS alerta que a banca europeia pode vir a registar uma descida nos lucros e a ter de rever os planos de distribuição de dividendos caso haja uma deterioração do cenário macroeconómico, nomeadamente se a Rússia decidir interromper o fornecimento de gás à Europa.

Gazprom (43.23 mil milhões)​

A banca europeia pode vir a registar uma quebra nos resultados e a ter de repensar os seus planos de distribuição de dividendos caso haja uma deterioração do cenário macroeconómico devido à guerra na Ucrânia, nomeadamente se a Rússia interromper o fornecimento de gás à Europa. O alerta é deixado pela DBRS numa nota divulgada esta quinta-feira.

“A perspetiva para o crescimento da zona euro deteriorou-se perante a invasão russa à Ucrânia e o impacto das sanções”, começa por referir a DBRS, notando que este “choque acontece numa altura em que a zona euro já estava a registar uma elevada inflação e problemas na cadeia de abastecimento”.

“Com o abrandamento da atividade económica, os bancos europeus deverão registar menos lucros e podem ter de acabar por rever os planos de distribuição de dividendos”, afirmam os analistas. Isto porque, “no caso de uma suspensão do fornecimento de gás por parte da Rússia, a capacidade de distribuição de dividendos ficaria ainda mais limitada”, sublinham no mesmo comunicado.

“Há uma elevada incerteza em torno dos efeitos económicos do conflito na Ucrânia. Uma possível interrupção do fornecimento de gás russo levará provavelmente a um racionamento e a uma inflação ainda mais elevada, o que prejudicaria significativamente as perspetivas de crescimento da zona euro”, afirma Carlo Capuano, vice-presidente da DRBS, citado na nota.

O grupo russo Gazprom anunciou esta quarta-feira que suspendeu todas as suas entregas de gás à Bulgária e à Polónia por não terem feito o pagamento em rublos. Em comunicado, a Gazprom disse que notificou a empresa búlgara Bulgargaz e a empresa polaca PGNiG da “suspensão das entregas de gás a partir de 27 de abril e até que o pagamento seja feito em rublos”.

“A decisão da Gazprom de cortar o fornecimento de gás a alguns Estados-membros da União Europeia é outra medida unilateral agressiva da Rússia”, escreveu Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, na rede social Twitter.

Na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já tinha garantido que a UE “está preparada” para o corte de gás russo, pois tem trabalhado “para assegurar entregas alternativas e os melhores níveis de armazenamento possíveis em toda a UE”, tendo os Estados-membros estabelecido planos de contingência.

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