Banca portuguesa compara bem na Europa mas modelo de organização ainda é tradicional, conclui Roland Berger

Trata-se do quarto “Executive Retail Banking Survey” e que consiste num estudo que resulta de uma inquirição à banca europeia, tendo contado nesta última edição com mais de 60 bancos participantes, de onze países europeus, de entre os quais nove com operação em Portugal.

Cristina Bernardo

A Roland Berger fez um estudo sobre a  ‘Banca de Retalho na Europa’  nele conclui que a banca portuguesa compara bem com as boas práticas europeias, mas ainda enfrenta desafios importantes.

É o quarto “Executive Retail Banking Survey“, realizado a cada dois anos, e que consiste num estudo que resulta de uma inquirição à banca europeia, tendo contado nesta última edição com mais de 60 bancos participantes, de onze países europeus, de entre os quais nove com operação em Portugal.

A consultora identifica seis grandes dimensões prioritárias de impacto ou oportunidade para os bancos portugueses no contexto das conclusões do estudo desenvolvido.

Em primeiro lugar “o reforço da proposta de valor bancária, procurando novas formas de diferenciação no espaço da relação com os clientes (cada vez mais competitivo), através de dimensões como benefícios e ofertas não financeiras, integração de ofertas e serviços de terceiros, inovação de produto ou criação de novos modelos de serviço”.

Segue-se “a digitalização end-to-end de processos complexos, com enfoque em empresas – enfoque na digitalização de processos no negócio de empresas permanece por implementar, com maior atraso face a particulares. RPA (robotic process automation) e AI (inteligência artifical) como alavancas chave para captura de ganhos de eficiência e maior agilidade na resposta”

Em terceiro lugar surge a “inovação no modelo de negócios para PME, abordando um dos maiores value pools bancários no mercado nacional, onde os bancos portugueses têm forte potencial para inovar, reforçando a proposta de valor através de novas ofertas, modelo de serviço e digitalização (em linha com outros mercados)”, nomeadamente, o espanhol.

A quarta proposta para a banca é a “adoção de modelos colaborativos suportados no desenvolvimento de parcerias com operadores financeiros e não financeiros, capitalizando a tendência para maior fragmentação da cadeia de valor”, como por exemplo, parceria em crédito ao consumo, “e potenciando a evolução para modelos de plataforma”.

A Roland Berger destaca também a “aceleração do posicionamento dos bancos em ESG [environmental, social and corporate governance], adequando as suas políticas de aceitação de risco, o seu portfolio de produtos e investimentos e o seu modelo de serviço e aconselhamento em função de critérios de sustentabilidade, assegurando um forte eixo de diferenciação no mercado”.

Recorde-se que no próximo ano são os primeiros testes de stress verdes à banca. O Banco Central Europeu (BCE) vai realizar entre março e julho de 2022 o primeiro teste de resistência bancária para avaliar a exposição do setor financeiro da zona euro a catástrofes naturais e a uma transição ecológica mais rápida.

Os riscos climáticos assumirão uma maior importância na ponderação do capital e do risco de cada instituição bancária para efeitos de supervisão.

Há um movimento imparável de green finance que põe o sistema financeiro a promover investimentos “verdes” e sustentáveis a longo-prazo, no sentido de garantir um “futuro justo e resiliente para todos”. Isto pode significar que as empresas mais poluentes poderão ser afetadas no acesso a financiamento bancário.

A sexta prioridade para os bancos, segundo a consultora, é a “revisão da estrutura organizacional numa ótica agile – oportunidade para repensar a organização num sentido mais matricial, ultrapassando “silos”, e de introduzir novas formas de trabalho ágil em áreas ou projetos específicos da organização”.

Em relação ao desempenho dos bancos europeus, o estudo da Roland Berger concluiu que a Covid-19 foi um acelerador da mudança no sector, mas não alterou estruturalmente os modelos de negócio – os clientes continuam a adaptar-se a um ritmo mais rápido que os Bancos, criando espaço a novos operadores de mercado.

“O enfoque dos bancos continua na digitalização end-to-end das jornadas de clientes, com forte investimento na aceleração deste processo em 2021″, refere o estudo.

A consultora lembra que “a fragmentação da cadeia de valor está a aumentar e a relação com os clientes a ficar um espaço cada vez mais competitivo – diferenciação da proposta de valor é chave, devendo assentar em novos temas e na evolução dos modelos de plataforma”.

O modelo de serviço bancário terá de ser reconfigurado, defende a Roland Berger, “abrindo novas oportunidades para repensar a rede física e a relação à distância com os diferentes segmentos de clientes, potenciando a melhoria de serviço e ganhos de eficiência”.

“O modelo de organização bancário é ainda muito tradicional, com os principais Bancos europeus a identificarem a necessidade de adotarem rapidamente modelos matriciais, novas formas de trabalho mais ágeis e colaborativas e de adquirir competências específicas”, conclui ainda a consultora.

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