Banca contra solução para os lesados do BES

A Associação Portuguesa de Bancos rejeita que o Fundo de Resolução (participado pelos bancos portugueses) tenha alguma responsabilidade no financiamento desta solução, refere o semanário Expresso.

Cristina Bernardo

António Costa irá anunciar hoje a solução para pagar aos lesados do BES detentores de títulos de dívida das empresas do Grupo Espírito Santo que faliram. Os investimentos em papel comercial do GES foram feitos em 2013 e início de 2014.

Mas segundo o Expresso os bancos, donos do Fundo de Resolução, estão contra a solução que tem sido referida na imprensa.

A proposta, que parte do grupo que trabalhou na origem do memorando de entendimento assinado pelo Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Governo (Diogo Lacerda Machado), BES e a associação de lesados, prevê a recuperação de entre 50% e 75% do valor investimento feito pelos clientes do BES nestes títulos de dívida emitidas pelas sociedades do GES como a Espírito Santo International e a Rioforte, ambas entraram em  insolvência e liquidação.

A recuperação será feita ao longo de três anos, através de um veículo a ser constituído e financiado sobretudo pelo Fundo de Resolução, e passa pela abdicação de quaisquer acções judiciais. E é contra isto que os bancos estão contra, segundo Expresso que diz que poderá vir a pesar no bolso dos contribuintes.

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) rejeita que o Fundo de Resolução (participado pelos bancos portugueses) tenha alguma responsabilidade no financiamento desta solução, refere o semanário.

A grande novidade desta solução está no facto de o fundo privado a constituir ser financiado por um ou mais bancos e esta operação ter uma garantia do Estado e uma contragarantia do Fundo de Resolução, avançou o Expresso que cita um dos advogados da associação dos lesados, Nuno Vieira. Ou seja, se os bancos que financiarem o fundo não receberem o dinheiro será o Estado e em última análise o Fundo de Resolução a pagar o montante injetado no fundo. Não se sabe ainda quem vai gerir o fundo e quem o vai financiar, porque para a solução avançar terá de ter a aprovação de 50% dos lesados.

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