Banco de Inglaterra sobe taxas de juro diretoras para 0,25%

A expectativa em novembro era já de uma decisão desta natureza, perante a pressão inflacionária na economia britânica e a forte recuperação na vertente laboral. O FMI havia já pedido ao banco central que evitasse a “inação” na reunião de dezembro.

Sede do banco de Inglaterra | Rob Bodman/Reuters

O Banco de Inglaterra anunciou esta quarta-feira a decisão de subir as taxas de juro diretoras no país, perante a subida da inflação que colocou este indicador em valores não vistos em dez anos. O banco central britânico decidiu colocar as taxas de juro em 0,25%, depois de largos meses em mínimos históricos de 0,1%.

A leitura da inflação em novembro revelou a continuação do aumento de preços na economia britânica, com a variação homóloga do índice de preços no consumidor a atingir os 5,1%, um resultado não verificado desde setembro de 2011. Em outubro, a taxa de inflação no país havia sido de 4,2%.

Na vertente laboral, a economia mostra também sinais de recuperação, com 257 mil postos de emprego criados em novembro e uma queda na taxa de desemprego no terceiro trimestre que coloca o indicador em 4,2%. Em termos mensais, a percentagem de trabalhadores desempregados tinha vindo a recuar nos últimos cinco meses até à leitura de outubro.

A expectativa dos mercados era de uma subida das taxas de juro já na reunião anterior de política monetária, dados os sinais de sobreaquecimento da economia do Reino Unido, mas o banco central londrino optou por manter inalterada a sua estratégia em novembro. Ainda assim, a votação do comité havia mostrado uma decisão renhida, pelo que a reunião de dezembro era aguardada com ansiedade.

O Reino Unido debate-se com números recorde de infeções confirmadas por Covid-19, com a variante Ómicron a causar uma nova aceleração da pandemia no território britânico e a colocar os legisladores sobre pressão, dadas as possíveis consequências para o tecido económico. Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional havia já apelado a uma tomada de posição mais hawkish pelo banco central, evitando uma “inação” que poderia ter consequências indesejadas para o país.

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